Nosso projeto editorial “Viajar por Portugal” tem proporcionado aos leitores o que há de melhor e de mais atraente no país. E não me canso de dizer que os feedbacks que a coluna tem recebido são a prova disso.
A cada artigo que escrevo, eu e o leitor descobrimos juntos um país cheio de encantos e lugares que comprovam que o extraordinário se apresenta sempre nos detalhes.
A coluna desta semana revela uma região de Portugal que poucos conhecem e conta a história de reabilitação de uma casa do século XVII, pertencente à Assunção Osório de Vasconcelos e ao seu marido Jorge Jardim Gonçalves.
Para começar, a região é a vila de Mondim da Beira, no Município de Tarouca, na região do Douro, promovida a vila em 1995 e que tem 585 habitantes, segundo dados de 2021.
Se a escala diminuta de habitantes da região dá a certeza de que o silêncio e o prazer de se vivenciar o aqui e agora, fazem parte da ordem do dia, a sua natureza vibrante transporta o turista para um ambiente bucólico que o faz pensar na vida. Nada mau para quem quer se reconectar e recarregar as baterias, não?
Já as Casas da Memória são um coletivo de 5 casas de pedra que se formaram a partir da casa principal e são hoje o destino preferido do turista que privilegia sobretudo a privacidade, o conforto e o requinte.
Apesar de estar nas mãos da família desde o século XVII, a casa que deu origem ao coletivo – também conhecida como Casa dos Capitães-Mor – acabou por ser deixada em legado à Santa Casa de Misericórdia de Lamego, mas voltou, em 1997, às mãos da família.
Decididos a preservar a sua memória, os proprietários começaram, em 1997, o processo de reabilitação do conjunto das 5 casas como é conhecido atualmente e que atrai turistas de todos os cantos do mundo.
Assunção Osório de Vasconcelos e seu marido Jorge Jardim Gonçalves não mediram esforços para manter o legado das Casas da Memória e compartilhá-lo com os turistas, que também podem visitar a casa principal, a biblioteca e a capela.
O coletivo, na verdade, é fruto de uma história de amor e familiar que se recusa a ser esquecida pelo tempo. Mais que isso, é uma forma de honrar a história vivida pelos proprietários, filhos e netos e de a perpetuar por gerações.
Todas as casas são de tamanhos diferentes, cada qual com uma decoração exclusiva, para que o turista possa desfrutar da sua estadia da melhor forma e de acordo com as suas necessidades.
Vale lembrar que as casas contam com piscina exterior, quadra de tênis, zonas de piquenique e vinhedo que ficam no terreno da propriedade. Para quem quer “fugir” do mundo lá fora e viver momentos de paz absoluta, qualquer uma das casas do coletivo é o destino perfeito para isso.
As Casas do Cimo da Vila e da Mina são as maiores casas do coletivo e são ideais para a estadia de famílias numerosas ou grupos de amigos que não abdicam do privilégio de estarem juntos e conviver num ambiente acolhedor e com história.
A primeira oferece seis quartos, seis banheiros e catorze camas (duas de casal e doze individuais), enquanto a segunda tem quatro quartos, quatro banheiros e sete camas (duas de casal e cinco individuais).
Decorada com extremo bom gosto e com obras de arte contemporânea distribuídas por três andares, a Casa do Cimo da Vila tem traçado seiscentista, um enorme átrio de pedra, sala de refeições, sala de estar com lareira e sótão. Uma casa com elegância e sobriedade.


A Casa da Mina é a casa mais nova do coletivo, mas nem por isso menos especial. Situada numa pequena elevação do terreno e sem a antiguidade do granito, a casa tem uma arquitetura mais moderna. A ampla sala de estar tem vista para o jardim e é o local perfeito para relaxar.



Já as Casas da Cerca e do Lagar, com personalidades distintas e bastante próprias, são perfeitas para a estadia de famílias menos numerosas ou pequenos grupos de amigos. A primeira tem três quartos, três banheiros e quatro camas (duas de casal e duas individuais) e a segunda temdois quartos, três banheiros e três camas (uma de casal e duas individuais).
Paredes de pedras largas, porta vermelho-bordeaux, janelas de guilhotina e quadrícula branca e uma varanda com olhos de miradouro para a propriedade, esse é o cenário idílico que a Casa da Cerca proporciona aos turistas.



A Casa do Lagar, como o próprio nome sugere, está instalada no antigo lagar (espaço tradicional onde se esmagam frutos principalmente para a produção de azeite) cujo mecanismo ainda é parcialmente visível. Um elemento rústico e autêntico que remete aos aspectos singelos da vida nas aldeias portuguesas em um passado não tão distante.




Se o turista quer uma opção romântica, a Suíte de Santo Antônio é a escolha certa. A casa tem umquarto com cama de casal e um banheiro. Uma casa mais intimista com terraço de pedra e vistas espetaculares. Para aqueles que acreditam e querem a bênção do santo casamenteiro, a estadia nessa suíte é um destino inescapável.
Uma vez na região, Mondim da Beira tem os seus ex-líbris que devem e merecem ser visitados, como o Mosteiro de São João de Tarouca, o Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, a Igreja de São Pedro de Tarouca ou a Capela de S. Pedro de Balsemão.
Se o leitor procura privacidade, tranquilidade e quer viver momentos inesquecíveis com a sua família e amigos, as Casas da Memória são o lugar ideal, onde o partilhar é mais do que um estilo de vida.
Se criar memórias é preciso, com as Casas da Memória, elas certamente serão inesquecíveis.




