Indicação visual de conteúdo ao vivo no site
Indicação visual de conteúdo ao vivo

Emagrecer é fácil. Manter o peso é que é difícil, e a ciência explica por quê

O problema não é falta de disciplina. É biologia, e entender isso muda tudo
Pessoa desanimada sobre balança ilustrando a recuperação de peso e o ciclo do efeito sanfona após emagrecimento.

Se você já emagreceu e depois recuperou o peso, saiba que não está sozinho. Estudos mostram que cerca de 80% das pessoas que perdem peso de forma significativa recuperam tudo, ou mais, em até dois anos.
E a maioria culpa a si mesma por isso: falta de força de vontade, fraqueza, descuido.

Mas a ciência conta uma história muito diferente

Manter o peso perdido é biologicamente mais difícil do que emagrecer. Não é percepção, não é desculpa, é fisiologia. E quanto mais cedo você entender isso, mais inteligente e eficaz será a sua próxima tentativa.

Quando você perde peso, o organismo interpreta essa perda como uma ameaça à sobrevivência. Não importa se você estava acima do peso ou não, o corpo não faz esse julgamento, ele simplesmente detecta que os estoques de energia diminuíram e aciona uma série de mecanismos para recuperá-los.

O primeiro desses mecanismos é a redução do metabolismo basal, que é a quantidade de calorias que seu corpo gasta em repouso. Isso significa que, após emagrecer, você precisa comer menos do que outra pessoa do mesmo tamanho só para manter o peso.

O segundo mecanismo é hormonal. A leptina, hormônio produzido pelo tecido gorduroso que sinaliza saciedade ao cérebro, cai drasticamente com a perda de peso. Ao mesmo tempo, a grelina, o hormônio da fome, aumenta. O resultado é que você sente mais fome e menos satisfação ao comer, mesmo estando em um peso saudável.

A dificuldade de manutenção do peso vai muito além das calorias

A microbiota intestinal, o conjunto de trilhões de microrganismos que habitam o intestino, tem papel direto na regulação do peso. Pesquisas mostram que determinados perfis de microbiota favorecem maior extração de energia dos alimentos e maior acúmulo de gordura, independentemente do que é consumido.

Dietas restritivas e pobres em fibras prejudicam esse ecossistema, criando um ambiente interno que dificulta a manutenção dos resultados.

O estresse crônico é outro fator determinante. Níveis elevados de cortisol, o principal hormônio do estresse, estimulam o acúmulo de gordura abdominal, aumentam o apetite por alimentos ultraprocessados e promovem resistência à insulina. Para quem acabou de emagrecer e voltou à rotina intensa, o cortisol pode desfazer silenciosamente semanas de esforço.

E o sono fecha esse ciclo de forma definitiva. Uma única noite de sono ruim já é suficiente para elevar a grelina e reduzir a leptina, recriando exatamente o ambiente hormonal que favorece o reganho de peso. Quando isso se torna rotina, o corpo encontra todas as condições para recuperar o que perdeu.

Dietas restritivas resolvem o sintoma, o peso, sem tratar as causas. Quando a restrição termina, as causas continuam lá: intestino desequilibrado, sono de má qualidade, estresse crônico, inflamação silenciosa. O corpo, sob essas condições, tende naturalmente a recuperar o que perdeu.

A manutenção do peso não é uma extensão da dieta, é uma fase completamente diferente, que exige estratégias diferentes e um olhar sobre o organismo como um todo.

Para isso devemos ter alguns pilares consistentes

  • O primeiro é a construção de massa muscular, músculos aumentam o metabolismo basal e ajudam a compensar a redução que ocorre após o emagrecimento.
  • O segundo é a regulação do sono e do estresse, não como hábitos opcionais, mas como parte essencial do protocolo de manutenção.
  • O terceiro é o cuidado com o intestino, através de uma alimentação rica em fibras, alimentos fermentados e baixa em ultraprocessados.
  • E o quarto, frequentemente ignorado, é o acompanhamento contínuo com um profissional especializado.

A fase de manutenção é onde a maioria das pessoas fica sem suporte. Exatamente quando mais precisam de orientação, param de buscar ajuda.

Um olhar clínico individualizado faz toda a diferença para identificar o que está impedindo a manutenção e ajustar a estratégia antes que o reganho se instale.

Se você já recuperou o peso após uma dieta, o problema não foi você, foi uma abordagem que não considerou a complexidade do seu organismo. Emagrecer com saúde e manter os resultados exige investigar causas, não apenas cortar calorias. Exige tratar o corpo como um sistema integrado, não como uma equação matemática de entrada e saída.

A diferença entre quem mantém o peso e quem não mantém raramente é disciplina, quase sempre é falta de orientação e acompanhamento.


Continua após a publicidade

Autor

  • Thays Pomini

    Casada, mãe de 2 meninos, nutricionista, pós-graduada em Nutrição Estética e Esportiva, Nutrição Fitoterápica e Epigenética.

    CEO da Clínica Thays Pomini, referência em emagrecimento, estética avançada, saúde hormonal e saúde da mulher.

    Atua também como palestrante em eventos, congressos, empresas e instituições.

    Conselheira do Comitê da Mulher da Associação Comercial de Santos, integrante do grupo Mulheres Inspiradoras e Embaixadora da Associação Amparo Maternal (SP). Voluntária das creches do Instituto Anglicano.

    Madrinha, organizadora e apoiadora do projeto Tripulantes do Cenep, em parceria com o Porto de Santos, Cenep e Deck4.

VEJA TAMBÉM

VTV News modelo

BBB 26: Ana Paula, Juliano e Milena na final. Quem vai vencer? Vote

Ana Paula comunicada da morte do pai

BBB 26: Ana Paula Renault chora e conta a Juliano: ‘Meu pai morreu’

Morre pai de Ana Paula Renault, que disputa o BBB 26; ela não será avisada

Morre pai de Ana Paula Renault, que disputa o BBB 26

WhatsApp Image 2026-04-19 at 21.09.31

Zezé Di Camargo diz não acompanhar a tendência sertaneja do momento

Gostaria de receber as informações da região no seu e-mail?

Preencha seus dados para receber toda sexta-feira de manhã o resumo de notícias.