A busca por uma pele mais jovem tem ampliado a oferta de tecnologias, produtos e procedimentos estéticos. Nesse cenário, a sucessão de tratamentos pode deixar de atender às necessidades da pele e passar a ser impulsionada pela insatisfação constante com a própria aparência.
De acordo com a pesquisa divulgada pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética ( ISAPS), A lipoaspiração continuou sendo o procedimento cirúrgico mais comum entre as mulheres, seguida pela cirurgia das pálpebras e pelo aumento de mama.
“O objetivo não é criar uma versão diferente daquela pessoa, mas encontrar um resultado que seja harmônico e faça sentido para ela. Você pode se olhar no espelho e perceber uma melhora sem deixar de reconhecer quem está ali”, explica Dra. Carla Vidal.
Entre os procedimentos mais realizados, foram comparados os dados de 2024 com os registrados no ano anterior. Os números mostram variações na quantidade de procedimentos realizados em diferentes áreas:
- Cirurgia de pálpebras: mais de 2,1 milhões de procedimentos, com aumento de 13,4%
- Rinoplastia: cerca de 1 milhão de procedimentos, com queda de 10%.
- Enxerto de gordura facial: aproximadamente 900 mil procedimentos, com aumento de 19,2%.
Influência das redes sociais
A exposição constante a conteúdos nas redes sociais também pode influenciar a percepção sobre a aparência. Imagens produzidas por influenciadores, muitas vezes com o uso de filtros e recursos de edição, apresentam padrões estéticos que nem sempre correspondem à realidade, o que pode contribuir para uma percepção distorcida da própria aparência.
As redes sociais e as câmeras dos celulares também contribuem para essa mudança na percepção sobre a própria aparência. “Hoje, muitas pessoas chegam dizendo exatamente qual procedimento querem fazer ou qual ativo querem usar. Mas uma indicação dermatológica não deveria começar pelo produto ou pela tecnologia”, comentou a médica.
Esse comportamento também se reflete no consumo de produtos para a pele. Com a influência das tendências nas redes sociais e a busca por resultados estéticos, a procura e a venda desses produtos têm ganhado espaço.
Produtos de beleza
A busca por esse padrão de aparência também movimenta o mercado de produtos, tratamentos e procedimentos estéticos. Em 2025, o setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais faturou cerca de R$ 200 bilhões, colocando o país como o terceiro maior mercado consumidor do mundo, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos.
O levantamento da entidade também aponta a presença do Brasil entre os principais mercados globais em diferentes categorias. O país ocupa a segunda posição em fragrâncias, a terceira em proteção solar e a quarta em lançamentos de produtos.
Manter uma rotina de cuidados com a pele não exige, necessariamente, uma grande quantidade de produtos ou procedimentos. A escolha deve ser feita de forma individualizada, levando em consideração fatores como diagnóstico, tipo de pele, idade, hábitos e objetivos de cada paciente.
A proposta é priorizar o que realmente atende às necessidades da pele, em vez de acumular etapas. “O tratamento mais sofisticado nem sempre é o que tem mais etapas. Muitas vezes, a sofisticação é saber o que não fazer”, afirma Carla.





