O linfoma não Hodgkin, câncer que o cantor Netinho enfrentava desde 2025, pode provocar complicações graves e comprometer diferentes órgãos do corpo. O artista, conhecido pelo sucesso “Milla”, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador, após apresentar falência renal e disfunção múltipla de órgãos, segundo informações divulgadas por sua assessoria.
Embora a doença tenha origem no sistema linfático, responsável por parte da defesa do organismo, seus efeitos podem atingir órgãos como os rins e o coração. A gravidade depende do tipo de câncer, do estágio da doença e das condições de saúde do paciente.
Mas como isso acontece? Especialistas explicam por que o linfoma pode causar complicações tão graves.
Como o linfoma não Hodgkin pode afetar os rins e o coração?
O linfoma não Hodgkin pode comprometer os rins por diferentes motivos, como infecções graves, desidratação, alterações no metabolismo, efeitos de medicamentos ou consequências diretas do câncer.
Segundo a nefrologista Dra. Renata Asnis, quando os rins deixam de funcionar corretamente, o organismo perde parte da capacidade de eliminar substâncias tóxicas e controlar a quantidade de líquidos no corpo.
“Quando os rins perdem a capacidade de filtrar adequadamente o sangue, substâncias que deveriam ser eliminadas começam a se acumular. Isso pode provocar alterações nos níveis de potássio, retenção de líquidos e desequilíbrios importantes no organismo”, explica.
Essas alterações também podem prejudicar o coração. O acúmulo de líquidos sobrecarrega a circulação, enquanto níveis elevados de potássio podem provocar alterações graves nos batimentos cardíacos.
A cardiologista Dra. Patrícia Hitomi Kuga explica que, em casos de falência de múltiplos órgãos, o coração também pode sofrer com alterações na pressão arterial e na oxigenação dos tecidos.
“O potássio elevado, por exemplo, pode provocar arritmias graves. Além disso, em situações de falência de múltiplos órgãos, o coração pode ser afetado por alterações da pressão arterial, da circulação e da oxigenação dos tecidos”, afirma.
Isso não significa que todos os pacientes com linfoma terão problemas renais ou cardíacos. As complicações variam conforme a evolução da doença.
O que é o linfoma não Hodgkin?
O linfoma não Hodgkin é um tipo de câncer que atinge os linfócitos, células do sistema imunológico responsáveis pela defesa do organismo.
De acordo com o Hospital Israelita Albert Einstein, existem diferentes tipos de linfoma, divididos em dois grandes grupos: Hodgkin e não Hodgkin.
A oncologista Dra. Roberta Galvão explica que alguns tipos apresentam crescimento lento, enquanto outros avançam rapidamente e exigem tratamento imediato.
“Como o sistema linfático está distribuído pelo corpo, o câncer pode atingir diferentes órgãos. Por isso, identificar exatamente o subtipo e a extensão da doença é fundamental para compreender os riscos e definir o tratamento mais adequado”, explica.
O tratamento pode incluir quimioterapia, imunoterapia, terapias direcionadas e outras abordagens, conforme as características da doença.
Mesmo quando o câncer retorna após uma resposta ao tratamento, situação conhecida como recidiva, ainda podem existir alternativas terapêuticas.
Quais são os sintomas do linfoma não Hodgkin?
Os sinais podem variar, mas alguns sintomas merecem atenção, especialmente quando persistem por várias semanas.
Entre os principais, estão:
- Ínguas: aumento dos gânglios no pescoço, nas axilas ou na virilha;
- Perda de peso: emagrecimento sem motivo aparente;
- Febre: episódios frequentes sem causa identificada;
- Suor noturno: transpiração intensa durante o sono;
- Cansaço: fadiga e fraqueza persistentes;
- Coceira: irritação intensa na pele, mesmo sem manchas.
Esses sintomas também podem indicar outras condições de saúde. Por isso, a orientação é procurar avaliação médica quando os sinais persistirem.
O diagnóstico geralmente envolve exames clínicos e uma biópsia, procedimento que permite analisar uma amostra do tecido afetado.
Apesar da gravidade de alguns casos, o linfoma não Hodgkin pode ser tratado, e determinados tipos apresentam boas possibilidades de controle prolongado ou cura.
A oncologista Roberta Galvão reforça que o acompanhamento médico precisa considerar não apenas o combate ao câncer, mas também as condições gerais de saúde do paciente.
No caso de Netinho, o diagnóstico veio a público em março de 2025, após uma internação por fortes dores nas pernas. O cantor compartilhou parte do tratamento nas redes sociais e morreu pouco mais de um ano depois.
O artista deixou sucessos como “Milla”, “Beijo na Boca” e “Fim de Semana”, que marcaram gerações de fãs do axé music.




