Quem colocou prótese de silicone há alguns anos provavelmente já ouviu a mesma recomendação: “depois de 10 anos, tem que trocar”. Mas essa regra não é tão simples assim.
Completar uma década com o implante não significa, automaticamente, que será preciso passar por uma nova cirurgia. A decisão depende das condições da prótese, dos exames de imagem, da avaliação médica e da presença de sintomas.
Segundo a cirurgiã plástica Carine Barreto, a decisão depende do estado da prótese, dos exames de imagem, da avaliação médica e da presença de sintomas.
“Dez anos não é uma data de vencimento. Os implantes atuais passaram por uma grande evolução tecnológica, tornando-se muito mais resistentes”, explica a especialista.
Prótese de silicone precisa ser trocada após 10 anos?
Não necessariamente. A chamada regra dos 10 anos não funciona como uma validade fixa da prótese de silicone.
De acordo com Carine, uma paciente pode chegar a esse período com o implante íntegro, sem alterações clínicas e sem indicação de cirurgia.
“O que precisamos avaliar é a condição daquele implante e das mamas”, afirma.
Mesmo assim, o tempo de uso deve fazer parte do acompanhamento. Isso porque o risco de algumas complicações, como ruptura, pode aumentar ao longo dos anos.
“É justamente por isso que o acompanhamento é tão importante. O tempo de implante entra na avaliação, mas não deve ser analisado isoladamente”, diz a cirurgiã.
Prótese pode romper sem a paciente perceber?
Sim. A ruptura de implantes preenchidos com gel de silicone pode acontecer sem provocar mudanças perceptíveis na mama.
Esse quadro é conhecido como ruptura silenciosa. Por isso, apenas o exame físico nem sempre é suficiente para descartar alterações.
Segundo o release, a ressonância magnética é considerada um dos principais exames para detectar esse tipo de ruptura. O ultrassom também pode ser utilizado no acompanhamento.
As recomendações citadas pela especialista consideram ultrassom ou ressonância sem contraste a partir de cinco a seis anos após a colocação do implante em pacientes sem sintomas, com novos exames periódicos depois disso.
Peito endurecido significa que a prótese rompeu?
Nem sempre. O endurecimento também pode estar relacionado à chamada contratura capsular. Essa alteração acontece quando o tecido cicatricial formado ao redor do implante se contrai. Nos casos mais avançados, podem surgir dor, mudança no formato da mama e deformidade.
“Nem todo endurecimento significa ruptura e nem toda alteração exige imediatamente a retirada da prótese. É preciso identificar a causa”, explica Carine.
Quais sinais merecem atenção?
Algumas mudanças podem indicar a necessidade de avaliação médica, principalmente quando aparecem anos depois da cirurgia.
Entre elas estão:
- Dor persistente;
- Endurecimento da mama;
- Inchaço;
- Assimetria;
- Mudança no formato;
- Massa na mama ou na axila;
- Deslocamento ou rotação do implante.
Esses sintomas podem ter diferentes causas e não significam, necessariamente, que a prótese tenha rompido.
Existe câncer associado à prótese de silicone?
Existe um tipo raro de linfoma chamado BIA-ALCL, associado principalmente a implantes com superfície macrotexturizada.
A doença se desenvolve na cápsula de tecido formada ao redor do implante, e não no tecido da mama.
Entre os sinais de alerta estão aumento persistente de uma das mamas, inchaço, dor, assimetria, endurecimento e aparecimento de massa na mama ou na axila.
“É importante falar sobre o BIA-ALCL sem transformar uma doença super rara em motivo para pânico. O mais importante é reconhecer sinais suspeitos e procurar avaliação médica”, orienta Carine.
Segundo a especialista, a retirada preventiva de próteses texturizadas não é recomendada de forma geral para pacientes sem sintomas.
Quando a troca da prótese pode ser necessária?
A troca da prótese de silicone pode ser indicada quando existe uma complicação ou quando a paciente deseja mudar o resultado da cirurgia.
Entre as situações que podem levar à retirada ou substituição estão:
- Ruptura confirmada;
- Contratura capsular importante;
- Infecção;
- Seroma tardio;
- Dor persistente;
- Deslocamento ou rotação;
- Alteração importante no formato das mamas;
- Desejo de mudar o tamanho;
- Decisão de retirar definitivamente a prótese.
A troca também pode acontecer por motivos estéticos. Mudanças de peso, gestação, envelhecimento e alterações da pele podem modificar o resultado obtido anos antes.
E depois de 15 anos?
Mesmo depois de 15 anos, o tempo de uso sozinho não torna a cirurgia obrigatória.
Implantes mais antigos, porém, exigem atenção maior e acompanhamento médico regular, com exames de imagem quando indicados.
“Prótese de silicone não deve ser encarada como algo que colocamos e esquecemos. Ela também não precisa ser retirada simplesmente porque completou dez anos”, conclui Carine.
A orientação é guardar informações sobre fabricante, modelo e características do implante e procurar avaliação médica diante de qualquer alteração.
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