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Sexualidade na menopausa: como manter o prazer e o conforto

Mudanças no corpo não significam o fim do prazer
Sexualidade na menopausa: como manter o prazer e o conforto. Foto: Magnific

A sexualidade na menopausa pode passar por mudanças, mas isso não significa o fim do desejo, do prazer ou da intimidade. Embora a queda hormonal possa provocar sintomas físicos, cada mulher vivencia essa fase de uma forma diferente.

Ressecamento vaginal, desconforto durante as relações e mudanças na autoestima estão entre as queixas que podem aparecer. No entanto, acompanhamento profissional, diálogo e autoconhecimento ajudam a encontrar novas formas de viver a sexualidade com qualidade de vida.

Sexualidade na menopausa muda por causa dos hormônios?

A menopausa acontece quando a mulher completa 12 meses consecutivos sem menstruar. Ela marca o fim da fase reprodutiva e costuma ocorrer após um período de transição chamado climatério.

Nessa etapa, os ovários reduzem a produção de estrogênio. A mudança pode afetar diferentes tecidos do corpo, inclusive a vagina, a vulva e a musculatura do assoalho pélvico.

Em entravista a VTV News, a Dra. Carla Pereira, fisioterapeuta pélvica, mestre e doutora pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, explica que essa redução hormonal pode provocar ressecamento vaginal, perda de elasticidade, diminuição da lubrificação e menor circulação sanguínea na região genital.

“Esses fatores podem tornar a relação sexual desconfortável ou dolorosa”, explica a especialista.

Sexualidade na menopausa: como manter o prazer e o conforto. Foto: Magnific
Foto: Magnific

Menopausa significa perda do desejo sexual?

A ideia de que a menopausa encerra a vida sexual ainda faz parte de um preconceito associado ao envelhecimento feminino. Para a fisioterapeuta, porém, essa percepção não corresponde à realidade.

“É um mito. A menopausa não representa o fim da vida sexual nem do desejo”, afirma Carla.

O desejo sexual não depende apenas dos hormônios. Qualidade do sono, saúde emocional, autoestima, relacionamento, doenças, medicamentos e rotina também podem influenciar a libido.

Algumas mulheres podem perceber uma redução do desejo. Outras passam por poucas mudanças ou até relatam uma vida sexual mais satisfatória, com maior conhecimento do próprio corpo e menos preocupação com uma gravidez.

“A menopausa é uma experiência individual e não existe uma única forma de vivenciá-la”, destaca a especialista.

Quais alterações podem aparecer?

As mudanças físicas não acontecem da mesma forma para todas as mulheres. Entre os sintomas mais frequentes estão:

  • Ressecamento e redução da lubrificação vaginal;
  • Dor ou desconforto durante a penetração;
  • Diminuição da elasticidade dos tecidos;
  • Mudanças na intensidade do orgasmo;
  • Perda urinária ou urgência para urinar;
  • Enfraquecimento ou tensão do assoalho pélvico.

Ondas de calor, insônia, ansiedade e alterações de humor também podem reduzir a disposição e interferir na resposta sexual.

A presença desses sintomas, contudo, não deve ser encarada como uma consequência inevitável da idade. Quando existe dor, desconforto ou impacto na qualidade de vida, a orientação profissional é importante.

Como redescobrir o prazer após a menopausa?

A sexualidade não se limita à penetração. Carinho, toque, intimidade, comunicação e diferentes estímulos também fazem parte da experiência sexual.

A menopausa pode abrir espaço para que a mulher conheça melhor o próprio corpo e descubra novas preferências. Mudanças nas posições, mais tempo de estímulo e o uso de lubrificantes podem aumentar o conforto.

“O autoconhecimento permite que a mulher compreenda melhor suas mudanças, descubra estímulos que lhe proporcionam prazer e identifique quando algo precisa de tratamento”, explica Carla.

O diálogo com o parceiro ou a parceira também ajuda a reduzir cobranças e expectativas. Para a fisioterapeuta, falar sobre limites, inseguranças e desejos pode fortalecer a intimidade.

“Prazer não tem idade. Ele apenas pode se transformar ao longo da vida.”

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Casal em momento de intimidade ilustrando o debate sobre se sexo emagrece e o gasto calórico na relação.
Foto: Freepik

Quais tratamentos podem ajudar?

O cuidado deve considerar os sintomas, o histórico de saúde e as necessidades de cada mulher. Por isso, não existe um único tratamento indicado para todos os casos.

Lubrificantes podem reduzir o atrito durante a relação, enquanto hidratantes vaginais ajudam no cuidado regular contra o ressecamento. A terapia hormonal também pode ser considerada, mas precisa de avaliação médica, pois possui indicações e contraindicações.

Atividade física, acompanhamento psicológico e cuidados com o sono e a saúde emocional também podem contribuir para o bem-estar.

A fisioterapia pélvica é outra possibilidade para mulheres que enfrentam dor, alterações urinárias ou dificuldades relacionadas ao assoalho pélvico.

“Por meio da avaliação individualizada, é possível tratar dor durante a relação, fortalecer ou relaxar a musculatura do assoalho pélvico, melhorar a circulação da região, aumentar a consciência corporal e favorecer uma resposta sexual mais confortável e satisfatória”, afirma Carla.

Dor durante a relação não deve ser normalizada

O silêncio e a vergonha ainda impedem muitas mulheres de procurar ajuda. Algumas acreditam que sentir dor ou perder o interesse sexual é algo que precisa ser aceito com o avanço da idade.

No entanto, sintomas persistentes devem ser avaliados por ginecologistas, fisioterapeutas pélvicos ou outros profissionais que acompanham a saúde da mulher.

“A mensagem mais importante é que nenhuma mulher precisa conviver com dor, desconforto ou sofrimento por acreditar que isso é normal da idade”, reforça a fisioterapeuta.

Com informação, acompanhamento multiprofissional e acesso ao tratamento adequado, a sexualidade na menopausa pode continuar sendo vivida com liberdade, bem-estar e autonomia.


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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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