Um novo modelo de moradia começa a transformar a paisagem e o modo de viver em Cubatão, na Baixada Santista. As Casas Flutuantes, construídas com estrutura em aço naval, surgiram a partir de uma ideia simples de moradora e prometem ampliar dignidade e sustentabilidade na Vila dos Pescadores (assista à reportagem a seguir).
Instaladas no Parque Linear do Jardim Casqueiro, às margens do Rio, as unidades têm 54 m² e contam com sistemas próprios de água, energia e tratamento de esgoto. São totalmente ecológicas e seguem o mesmo modelo das casas que serão futuramente construídas na comunidade, que abriga cerca de 9 mil moradores.
O projeto faz parte do plano de urbanização da Vila dos Pescadores, que prevê a construção de 80 moradias flutuantes, além de um restaurante, centro de meio ambiente e outros equipamentos públicos. A iniciativa é considerada pioneira no País e pode servir de referência para outras cidades litorâneas.
Inovação social
As primeiras casas foram inauguradas no último 30 de outubro, em cerimônia que reuniu o prefeito César Nascimento, secretários municipais e representantes do governo federal. Durante o evento, o prefeito destacou o caráter transformador da proposta.
“Muitos consideraram loucura este projeto, mas mostramos que, com responsabilidade e vontade política, é possível transformar ideias em conquistas. Cubatão está novamente na vanguarda, realizando algo inédito e histórico”, afirmou Nascimento (PSD).
A arquiteta Karla Roncete, idealizadora do projeto, explicou que o protótipo inclui duas tipologias: uma destinada à moradia e outra que poderá funcionar como café ou bar. “É um sonho que se torna realidade e mostra o quanto é possível inovar sem agredir o meio ambiente”, disse.
Ideia nasceu dentro da comunidade
A vice-prefeita e secretária de Habitação, Andrea Castro, contou que a ideia surgiu de uma simples conversa com uma moradora da Vila dos Pescadores. “Pesquisei, vi que era possível e fomos atrás. Passamos por várias etapas, inclusive em Brasília, até conseguirmos concretizar o projeto com o apoio do SPU [Serviço de Patrimônio da União]”.
Segundo Andrea, a iniciativa representa o compromisso da gestão em melhorar as condições de moradia das famílias que ainda vivem em palafitas. “É um sonho coletivo que começou com uma sugestão e hoje está se tornando uma nova realidade urbana”, destacou.
Como será financiada a construção das casas?
Em nota, a Prefeitura de Cubatão informou que os recursos para a construção das Casas Flutuantes serão integralmente municipais. Serão ao todo 80 moradias, divididas em duas etapas de 40 unidades cada, com custo estimado de R$ 160 mil por casa.
A administração municipal explicou ainda que o prazo para a conclusão das obras é de quatro anos, conforme estipulado pela Marinha do Brasil. O cronograma começa a contar a partir do início efetivo do processo de construção das moradias.
Segundo a Prefeitura, as casas flutuantes integram um projeto maior de urbanização na região, que inclui abertura de ruas, construção de prédios e da Avenida Perimetral. O investimento total previsto é de cerca de R$ 600 milhões, com recursos do Município, Estado e União.
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Fotos: Thiago Cunha/cedidas