O cantor, compositor e instrumentista Jards Macalé morreu nesta segunda-feira (17), aos 81 anos. A informação foi confirmada por sua equipe em uma publicação nas redes sociais oficiais do artista. A causa da morte não foi divulgada.
Considerado um dos maiores nomes da música popular brasileira, Macalé ganhou notoriedade por transitar entre gêneros diversos, como samba, bossa nova, rock e música de vanguarda, sem jamais abrir mão da contundência poética. Ficou conhecido como o “anjo torto” da MPB — um cognome que refletia tanto sua estética quanto sua postura crítica.
“Nessa soma de todas as coisas, o que sobra é a arte. Eu não quero mais ser moderno, quero ser eterno“, escreveu a equipe do artista ao comunicar sua morte, citando um trecho associado a ele.
Referência da contracultura
Com uma carreira marcada pela ruptura de padrões, Jards Macalé consolidou parcerias históricas com artistas como Gal Costa, Caetano Veloso, Torquato Neto e Waly Salomão, nomes centrais da Tropicália e da cena contracultural brasileira nas décadas de 1970 e 1980.
Entre suas composições mais emblemáticas estão:
- “Vapor Barato”, em parceria com Waly Salomão, gravada por Gal Costa e posteriormente por O Rappa
- “Hotel das Estrelas”, com forte carga lírica e existencial
- “Mal Secreto”, eternizada nas vozes de Maria Bethânia e Gal Costa
Biografia e trajetória
Jards Anet da Silva, nome de batismo de Macalé, nasceu no Rio de Janeiro, em 3 de março de 1943. O primeiro álbum solo, “Jards Macalé”, foi lançado em 1972, marcando sua estreia definitiva no cenário nacional.
Além da carreira como cantor e compositor, Macalé atuou como diretor musical em trilhas sonoras de cinema e teatro, sempre prezando pela liberdade criativa. Ao longo das décadas, tornou-se símbolo de uma música que não se dobrava à lógica comercial — nem às convenções de gênero.
Até a última atualização desta reportagem, a família não divulgou informações sobre velório ou sepultamento.