Um bebê de 10 meses foi encontrado morto no último sábado (29) em uma área isolada de Monte Mor, na Região de Campinas. O padrasto da criança, identificado como Gustavo Henrique da Silva, de 30 anos, principal suspeito do crime, foi preso em flagrante em Hortolândia, onde reside.
Segundo a Polícia Civil informou à VTV, o homem alegou ter sido alvo de um suposto sequestro no qual a criança teria sido levada pelos criminosos. No entanto, após diligências, os investigadores identificaram contradições nas versões apresentadas por Gustavo, que acabou confessando o crime.
A redação não conseguiu localizar a defesa de Gustavo, deixando o espaço aberto para eventuais réplicas. A família da criança também não foi localizada, deixando o espaço aberto para manifestações.
O que diz o Boletim de Ocorrência?
A versão inicial do B.O. narra que Gustavo apresentou versões contraditórias sobre o paradeiro da criança, o que fundamentou sua prisão preventiva em flagrante.
- Segundo o Boletim de Ocorrência, a versão inicial do investigado apontava um assalto cometido por dois indivíduos armados em uma moto, mas imagens de segurança obtidas pelos policiais indicaram que ele saiu e retornou à residência sozinho, sem a criança.
- Segundo a versão apresentada pelo investigado aos policiais militares, ele teria saído a pé com a criança por volta das 20h30 e sido abordado por uma dupla em uma motocicleta escura. Ele alegou que o garupa teria arrancado o menor de seus braços mediante ameaça de arma de fogo e fugido em seguida.

- Entretanto, ele é visto em sequência conduzindo o próprio veículo, e retornando minutos depois, momento em que pula o muro da residência, trancada. Testemunhas ouvidas pelos policiais afirmaram que não viram o menor com ele ao retornar, nem mesmo dentro do carro.
- Em vistoria preliminar no veículo utilizado, os agentes encontraram manchas de sangue no banco e no painel, o que levou o investigado a afirmar que o menino teria se ferido mordendo a própria língua. Questionado sobre a limpeza do sangue, ele apresentou versões contraditórias sobre como teria higienizado o local.
A investigação prosseguiu com a apreensão de objetos e vestígios: foram recolhidas amostras de sangue, roupas do investigado e itens infantis, todos lacrados para perícia. Entre os elementos colhidos estão uma chupeta, amostras distintas de sangue e as vestes do suspeito, devidamente etiquetadas sob números de lacre. A perícia técnica da Polícia Civil de Americana compareceu ao local para exames complementares e condução dos procedimentos periciais.
O que se sabe até agora e o que falta saber?
Uma testemunha ouvida pelo VTV relatou que notou o suspeito ao sair para caminhar durante a noite. Segundo o relato, o homem apresentava um “nervosismo” ao cruzar com ele na rua.
O delegado responsável fundamentou a prisão ao constatar que o investigado “induziu a autoridade à falsa percepção de uma situação inexistente, com aparente objetivo de ocultar o paradeiro da criança”.
- Entre os pontos centrais que embasaram a decisão estão: contradições reiteradas, imagens que o mostram sozinho durante todo o trajeto, ausência de registros do suposto crime e sinais físicos não explicados de maneira satisfatória.
- A autoridade também ressaltou que o investigado assumiu voluntariamente a guarda do menino naquele dia, o levou consigo e desde então passou a ocultá-lo.
- Não está claro ainda, entretanto, a dinâmica do crime, como por exemplo onde exatamente a criança foi morta e como.
Além da autuação em flagrante, foi solicitada a prisão preventiva, sob argumentos de risco à instrução criminal, possibilidade de fuga e gravidade dos fatos.