Dos sete cursos de medicina da região de Campinas e Bragança Paulista avaliados pelo Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), dois tiveram desempenho considerado insatisfatório pelo Ministério da Educação (MEC).
A Faculdade Municipal Professor Franco Montoro, de Mogi Guaçu, recebeu nota 1, e a Faculdade São Leopoldo Mandic, de Campinas, obteve nota 2. Ambas as avaliações estão abaixo da faixa considerada satisfatória pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação da prova.
A nota máxima, 5, foi atribuída à Unicamp, também sediada em Campinas. Outras instituições da região, como a PUC-Campinas, o Centro Universitário de Jaguariúna, o Centro Universitário Max Planck (Indaiatuba) e a Universidade São Francisco (Bragança Paulista) ficaram na faixa intermediária, com conceito 3 ou 4 (confira os resultados aqui).
- Unicamp (Campinas ) – nota 5
- PUC-Campinas (Campinas) – nota 4
- Centro Universitário de Jaguariúna (Jaguariúna) – nota 3
- Centro Universitário Max Planck (Indaiatuba) – nota 3
- Universidade São Francisco (Bragança Paulista) – nota 3
- Faculdade São Leopoldo Mandic (Campinas) – nota 2*
- Faculdade Municipal Professor Franco Montoro (Mogi Guaçu ) – nota 1

Faculdade contesta nota
Procurados pela redação, o Grupo Mandic alegou que os dados divulgados pelo MEC apresentam falhas e que a avaliação correta da unidade de Campinas seria conceito 3, com base nas informações acessadas internamente pela instituição na plataforma oficial e-MEC. A faculdade afirma que houve “rebaixamento sistêmico” de notas em instituições de todo o país e que tenta contato com o Ministério para esclarecimentos.
A nota divulgada para a unidade de Araras, também do Grupo Mandic, foi 2. A direção justifica o desempenho pela baixa adesão ao exame entre os alunos, que estariam em uma etapa ainda precoce da formação.
Segundo a nota, apenas 15% dos estudantes de Araras se inscreveram no Enare — exame de residência médica —, o que indicaria que o Enamed teria sido tratado como uma prova de baixo impacto, sem consequências claras para os avaliados.
“Temos certeza de que, com uma prova de maior engajamento, teremos notas que representam a qualidade de nossos cursos de medicina”, afirma o texto.
A faculdade também criticou o uso do Enamed como critério isolado para sanções regulatórias, sem que o exame tenha sofrido reformulação metodológica. A instituição defende que o exame precisa ter efeitos diretos para os estudantes, sob risco de “perpetuar uma assimetria técnica” entre o peso da prova e o real envolvimento dos concluintes.
A redação não conseguiu contactar a Faculdade Municipal Professor Franco Montoro, deixando o espaço aberto para eventuais réplicas.

Avaliação e resultados nacionais
O Enamed é aplicado anualmente pelo Inep e, em 2025, avaliou 351 cursos de medicina em todo o país. Aproximadamente 89 mil alunos participaram, sendo 39 mil concluintes — grupo diretamente observado para aferição da formação final. Apenas 67% desses estudantes alcançaram um nível considerado “proficiente” na prova, ou seja, com domínio satisfatório das competências exigidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais.
De acordo com o Inep, o objetivo do Enamed é verificar se os estudantes concluintes adquiriram as habilidades exigidas para atuação médica qualificada, oferecer subsídios para a melhoria dos cursos, aprimorar o acesso à residência médica e fortalecer a formação voltada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O ministro da Educação, Camilo Santana, declarou que as instituições com desempenho insatisfatório terão prazo para apresentar defesa.
Ele reiterou durante uma coletiva que a finalidade da avaliação é “garantir a qualidade do ensino, protegendo a população que, depois, é assistida por esses profissionais”.