A arquiteta Fernanda Silveira de Andrade, de 29 anos, foi encontrada morta em uma área de mata na zona sul de São Paulo (SP), após o ex-namorado Euhanan dos Santos Barbosa, de 25 anos, confessar o crime e indicar o local do corpo.
A vítima estava desaparecida há três meses, após sair da casa dos pais em Serra Negra. Ele foi detido no sábado (24), no bairro de Marsilac, com um revólver calibre .38 e munições, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). A prisão ocorreu após denúncia anônima.
A SSP informou que o caso foi registrado como feminicídio, violência doméstica, posse ilegal de arma de fogo e localização/apreensão de objeto no 101º Distrito Policial (Jardim das Imbuias). O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), confirmou que a audiência de custódia foi realizada no domingo (25), com a conversão da prisão em flagrante e representação da Defensoria Pública.

Histórico de violência e ameaças
Fernanda convivia com agressões e ameaças recorrentes por parte do ex-companheiro. A mãe da Fernanda, Neusa Andrade, técnica de enfermagem, relatou ao VTV um histórico de violências por parte de Euhanan:
“Ele começou a querer vir morar na minha casa, não gostei do jeito dele. Ele brigou ela, e não gostei do olhar agressivo”, relatou a mãe da vítima.
Segundo a mãe, ela soubre da morte da filha através da televisão: “falaram, liga a televisão, e já estava passando”.
Em junho de 2024, ela procurou a Polícia Civil para relatar que havia sido espancada com socos, chutes e golpes de capacete na cabeça. No termo de declaração, assinado em 23 de junho, afirmou que as ameaças de morte eram frequentes e que não conseguia se afastar do agressor por medo de represálias.
A redação do VTVNews obteve as mensagens que Fernanda trocou com uma amiga após a agressão. Na conversa, a vítima relatou as fortes agressões sofridas:

Tentativa de feminicídio
O episódio mais grave ocorreu em 2025, quando Euhanan a esfaqueou oito vezes e fugiu em seguida. A arquiteta sobreviveu após ser internada. Segundo o relatório médico obtido pela redação, ela foi internada no Hospital Municipal de Parelheiros, em São Paulo, após dar entrada na unidade em 19 de março de 2025 com múltiplos ferimentos por “objeto perfurocortante” no abdômen, atribuídos no prontuário ao namorado.
Segundo o resumo de alta médica, a paciente passou por cirurgia abdominal (laparotomia exploratória), que identificou lesões na parede abdominal, no cólon descendente, no diafragma esquerdo e pequeno sangramento. Após o procedimento, ela ficou na UTI no mesmo dia e foi transferida para a enfermaria em 20 de março.
O documento aponta que a paciente evoluiu bem durante a internação, permanecendo consciente, orientada, estável e deambulando, com curativo limpo e alimentação normal. Exames laboratoriais e de imagem não indicaram complicações graves, e a tomografia de tórax foi considerada dentro da normalidade. A alta médica foi concedida em 25 de março, após sete dias de internação.

Apesar da tentativa de homicídio, o relacionamento foi retomado pouco tempo depois, segundo familiares, por medo de ser morta. Fernanda se mudou do interior paulista para a capital e, mesmo com o histórico de violência, continuou a ser ameaçada. O VTV teve acesso à mensagens de voz enviadas por Euhanam para a mãe de Fernanda, com tom ameaçador. Segundo ela, as ameças não se concetravam somente à Fernanda; a família também era alvo frequente de ameaças.
“Por que a Fernanda precisava mandar áudio para a senhora escondida de mim?”, disse ele no áudio.
A localização do corpo ocorreu após a confissão de Euhanan, feita no momento da prisão. Ele caminhava pelas ruas da zona sul quando foi abordado por policiais após denúncia anonima.
Em depoimento, assumiu o homicídio e revelou onde havia enterrado Fernanda. A arma apreendida também foi encaminhada para análise pericial.