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EUA anunciam Conselho de Paz com 26 países fundadores, mas sem o Brasil

Órgão criado por Trump para supervisionar plano de cessar-fogo em Gaza reúne aliados estratégicos, mas enfrenta resistência da Europa e da ONU
Presidente Lula e Donald Trump em encontro bilateral na Casa Branca, Washington, discutindo relações diplomáticas.

O governo dos Estados Unidos oficializou nesta terça-feira (27) os 26 países fundadores do Conselho de Paz, iniciativa criada sob a liderança de Donald Trump para monitorar a implementação de seu plano de 20 pontos voltado ao fim da guerra entre Israel e o Hamas.

A lista foi divulgada ao longo do dia em postagens sucessivas na rede X, acompanhadas por mensagens de boas-vindas e bandeiras nacionais ao lado da americana.

A proposta do conselho, anunciada pela Casa Branca em setembro, faz parte da segunda etapa do acordo firmado entre Israel e o Hamas em outubro do ano passado, e estabelece a Faixa de Gaza como uma zona livre de armamentos, sob gestão transitória de um comitê palestino tecnocrático. O Conselho de Paz seria responsável por fiscalizar esse processo, que inclui o desmantelamento de grupos armados e a mediação internacional.

Donald Trump discursa no Fórum Econômico Mundial sobre a criação do Conselho de Paz para a Faixa de Gaza.
Donald Trump anunciou o Conselho de Paz durante o Fórum Econômico Mundial (Foto: Reprodução / YouTube)

“O objetivo é construir uma base estável para a reconstrução da Faixa de Gaza, livre da presença de milícias e sob supervisão internacional legítima”, afirmou um porta-voz do governo americano. A expectativa é de que novos convites sejam estendidos a outros países ao longo das próximas semanas.

Apesar do apoio de governos alinhados à política externa americana, o projeto não obteve adesão unânime. Países europeus como França, Suécia, Espanha, Noruega e Eslovênia recusaram o convite, alegando que a iniciativa enfraquece a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU).

E o Brasil?

O Brasil também foi convidado, mas até o momento não confirmou participação nem emitiu resposta oficial. Segundo interlocutores do Palácio do Itamaraty para a imprensa, a avaliação não é simples e que a adesão brasileira deveria estar condicionada à uma série de condições, como a utilização do conselho somente para tratar de Gaza.

Países fundadores concentram-se no Oriente Médio e Ásia

O núcleo do Conselho de Paz é formado por nações da Ásia Ocidental e do Oriente Médio, incluindo:

  • Arábia Saudita;
  • Catar;
  • Bahrein;
  • Emirados Árabes;
  • Kuwait;
  • Jordânia;
  • Turquia;
  • Paquistão;
  • Azerbaijão;

Armênia. Também participam países da Ásia Central e Sudeste Asiático, como:

  • Cazaquistão;
  • Uzbequistão;
  • Mongólia;
  • Indonésia;
  • Camboja;
  • Vietnã.

Na Europa, os membros fundadores incluem:

  • Hungria;
  • Albânia;
  • Bielorrússia;
  • Kosovo;

Bulgária, enquanto Egito e Marrocos representam o Norte da África. A América Latina marca presença com Argentina, El Salvador e Paraguai.

Mesmo com a composição inicial, a iniciativa americana ainda enfrenta desconfiança por parte de organismos multilaterais e governos que veem no conselho um instrumento de unilateralismo geopolítico. Ainda assim, a Casa Branca tem reiterado que o órgão não pretende substituir a ONU, mas atuar de forma complementar à resolução pacífica do conflito em Gaza, em parceria com atores locais.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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