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São Paulo abre estudo de tombamento do Complexo Beira Rio em Piracicaba

Área da antiga Fábrica Boyes de Piracicaba está sob proteção provisória e não pode ser modificada sem autorização
São Paulo abre estudo de tombamento do Complexo Beira Rio em Piracicaba

O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) decidiu nesta segunda-feira (9) pela abertura do estudo de tombamento do Complexo Beira Rio, em Piracicaba (SP). A deliberação foi tomada durante reunião ordinária do órgão estadual, e garante proteção provisória à área enquanto durar o processo.

O complexo inclui a antiga Fábrica Boyes, o Palacete Luiz de Queiroz, a Praça Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz e o Museu da Água, todos situados às margens do rio Piracicaba. A partir da instauração do processo, qualquer obra ou intervenção nesses locais dependerá de análise e parecer técnico do Condephaat, mesmo antes de uma eventual decisão final.

A tramitação não possui prazo fixado e deve considerar critérios como valor histórico, vínculo com a cidade e características arquitetônicas dos bens. Caso o parecer técnico aponte relevância patrimonial suficiente, o tombamento estadual poderá ser efetivado, impedindo intervenções que descaracterizem os imóveis.

Projeto imobiliário segue suspenso

A área é alvo de disputa desde que o projeto Boulevard Boyes foi apresentado por empreendedores privados, prevendo a demolição de seis dos treze prédios da antiga fábrica e a construção de quatro torres residenciais de aproximadamente 90 metros de altura. A proposta chegou a ser aprovada em 2023 pelo Codepac, conselho municipal de defesa do patrimônio cultural.

Contudo, em 2025, uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a suspensão do empreendimento. O relator Martin Vargas considerou que a obra poderia gerar danos irreversíveis ao entorno do rio Piracicaba e determinou que qualquer avanço fosse condicionado à conclusão do processo de tombamento em curso.

Vista do Rio Piracicaba e Complexo do Engenho Central, área sob processo de tombamento pelo Condephaat.

Mobilização local impulsionou a decisão

Grupos ambientalistas e movimentos sociais do município comemoraram a deliberação do Condephaat como resultado de mobilização coletiva.

Em uma publicação nas redes sociais, um dos movimentos escreveu que a decisão “é uma conquista coletiva e um reconhecimento da importância da memória fabril e industrial, da história urbana de Piracicaba e da relação da cidade com o rio e o Engenho Central”.

O texto também defendeu que o uso da área atenda a fins públicos, com preservação da memória e participação popular.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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