Residente em Los Angeles há sete anos, o ator Wagner Moura afirmou, nesta quarta-feira (18), temer a sua vida nos Estados Unidos devido às políticas migratórias do governo de Donald Trump. Em entrevista ao El País, o brasileiro declarou que, mesmo com o reconhecimento de sua carreira internacional, sente receio de encontrar agentes do ICE (Agência de Imigração e Alfândega) nas ruas.
“Estamos passando por um momento muito difícil; até eu tenho medo de me deparar com a imigração”, comentou. Moura explicou que sua preocupação também se deve ao seu temperamento diante de arbitrariedades. “Reajo de maneira explosiva quando vejo injustiça ou autoritarismo. Agora, não sei se conseguiria fazer isso. Esses caras podem te matar”, desabafou.
Ataque à cultura e intelectuais
Moura vive na Califórnia com a esposa, a jornalista Sandra Delgado, e os três filhos do casal. Durante a entrevista, ele traçou um paralelo entre o cenário americano e o brasileiro, ressaltando que regimes autoritários tendem a eleger artistas, jornalistas e intelectuais como “inimigos do povo”.
Para o ator, a extrema direita no Brasil foi eficaz ao utilizar o discurso de que a classe artística vive exclusivamente de dinheiro público para invalidar seu trabalho. “É curioso como se repetem os mesmos padrões. Conseguiram fazer com que a verdade desaparecesse”, reforçou, lamentando a demonização de intelectuais e comunicadores.