Durante décadas, o setor elétrico foi visto como um ambiente predominantemente masculino, especialmente nas áreas técnicas e operacionais. Em Campinas, porém, essa realidade começa a mudar. O aumento da presença feminina em cargos de liderança e na linha de frente da operação tem revelado uma transformação gradual dentro de empresas do setor, impulsionada por políticas de diversidade e pela ampliação do acesso das mulheres a formações técnicas.
Na CPFL Energia (Companhia Paulista de Força e Luz), os números indicam esse avanço. Em 2025, as mulheres passaram a representar 21,03% do total de colaboradores da companhia, sendo que nos cargos de liderança, a participação feminina chegou a 23,9%, indicando maior presença em posições estratégicas dentro da empresa.
O movimento também pode ser observado nas funções operacionais. Atualmente, a empresa conta com 186 eletricistas mulheres, um crescimento de 545% em comparação com 2020. A ampliação da presença feminina nessas áreas acompanha iniciativas de formação e incentivo à entrada de mulheres em profissões tradicionalmente associadas aos homens.
Grandes mulheres na elétrica
Um exemplo dessa mudança é a trajetória da engenheira eletricista Rebeca Neves. Após três anos na companhia, ela se tornou a primeira mulher a assumir o cargo de técnica supervisora no Centro de Operações da CPFL Energia. A função exige tomada de decisões rápidas e coordenação de equipes responsáveis por restabelecer o fornecimento de energia em situações de emergência.

Antes de assumir a supervisão, Rebeca atuou como operadora de emergência, acompanhando ocorrências e orientando manobras na rede elétrica em situações críticas, como acidentes envolvendo postes e falhas no sistema. Segundo ela, a agilidade e a responsabilidade fazem parte da rotina. “Um dos pontos que mais valorizo no meu trabalho é a rápida tomada de decisão. Tenho sempre que agir com rapidez, mas com foco na segurança da equipe e do cliente”, afirma.
A presença feminina também cresce nas equipes de campo. A eletricista Beatriz Costa faz parte da primeira turma formada pela Escola de Eletricistas da companhia, iniciativa voltada à capacitação de novos profissionais para atuar diretamente na manutenção e operação da rede elétrica.

(Fotos: Divulgação/CPFL Energia)
O interesse pela área surgiu a partir da curiosidade em realizar pequenos reparos no dia a dia, mas se consolidou durante a formação técnica. Após concluir o curso, ela foi contratada e passou a atuar na operação de campo, responsável por atender ocorrências e restabelecer o fornecimento de energia em diferentes bairros.
Para Beatriz, o impacto do trabalho vai além da parte técnica. “O que mais amo na minha função é a possibilidade de ajudar as pessoas. Fico muito feliz quando chegamos a um bairro, conseguimos restabelecer a energia e vemos as luzes se acenderem novamente”, relata.
Topo feminino
Além das equipes operacionais, a presença feminina também tem avançado nos espaços de decisão da companhia. O Conselho de Administração da CPFL conta atualmente com duas conselheiras, com experiência nas áreas de gestão, energia, sustentabilidade e inovação.
A participação feminina no colegiado rendeu ao grupo o selo Women on Board, iniciativa independente que reconhece empresas que possuem pelo menos duas mulheres em seus conselhos de administração. O reconhecimento destaca a adoção de práticas de governança voltadas à diversidade e à inclusão.
Para especialistas e empresas do setor, o avanço da presença feminina em áreas técnicas e de liderança é resultado de mudanças culturais e da ampliação de oportunidades de formação. A tendência é que esse movimento continue crescendo nos próximos anos, ampliando a diversidade em um segmento estratégico para a economia.