Antes de matar a esposa dentro da própria casa em Praia Grande, no litoral de São Paulo, Pedro Ubiratan de Oliveira, de 42 anos, deixou as três filhas do casal na residência da avó paterna. O crime ocorreu na madrugada deste domingo (9), no bairro Caieiras. A vítima foi identificada como Thais Rodrigues Rocha de Oliveira.
Segundo informações do registro policial obtido pelo VTV News nesta segunda-feira (9), Pedro havia discutido com a esposa dois dias antes após suspeitar de uma traição. Depois do assassinato, o homem chegou a publicar vídeos nas redes sociais pedindo perdão. Thais foi encontrada morta na sala da casa onde morava com o marido.
“Quero pedir perdão para minha família, para a família dela. Os que prestam, tem uns que não valem nada. Devia ter orientado ela porque alguém [um familiar] sabia [da suposta traição]. Chifre eu ia aguentar, agora pegar e me passar por louco, drogado, falar que é coisa da minha cabeça?”, disse ele em um trecho do vídeo.
Ainda conforme o documento, a desconfiança teria começado após o suspeito encontrar uma calcinha usada da vítima dentro da residência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas o óbito foi constatado no local. O caso é investigado pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
Briga antes do crime
Após desconfiar de uma possível traição, o casal discutiu na sexta (6). Em depoimento à polícia, o homem afirmou ter dado um tapa na esposa durante a briga. A agressão levou a vítima a acionar a polícia, e o suspeito chegou a ser retirado da residência. Mesmo assim, ele disse a familiares que pretendia tentar uma reconciliação.
O registro policial também aponta que, na noite anterior ao crime, o homem conversou por telefone com parentes. Durante a ligação, afirmou que havia deixado as filhas na casa da avó para passar um tempo com a esposa. Pedro também disse que pretendia procurar tratamento para o uso de drogas.
Horas depois, já durante a madrugada, o suspeito voltou a entrar em contato com familiares. Ele ligou para um sobrinho usando o celular da própria vítima e pediu que o parente fosse até a casa do casal. Como o sobrinho afirmou que não poderia ir naquele momento, Pedro passou a enviar mensagens pelo celular de Thais.

Mensagens após o assassinato
Nas mensagens, ele afirmou que havia matado a própria esposa e mencionou uma suposta traição como motivação para o crime. A esposa do sobrinho visualizou o conteúdo e avisou outros familiares, que acionaram a Polícia Militar (PM). Parentes também foram até a casa do casal e encontraram Thais morta no chão da sala.
“Não foi por causa de ‘gaia’ [traição], não. Foi por pilantragem, dando dentro da minha casa e na minha cama. Eu queria o nome [do cara], mas ela não quis falar”, escreveu.
Segundo o relato registrado pela polícia, o homem deixou a residência após o crime e seguiu até a casa da própria mãe, onde teria contado que sufocou a esposa até matá-la. Pouco depois, Pedro foi localizado por PMs caminhando pela rua. Ele estava desorientado e apresentava um corte na parte de trás da cabeça.
O suspeito afirmou que o ferimento teria sido provocado pela própria mãe ao descobrir o assassinato. Ele foi levado ao Pronto-Socorro Quietude para atendimento médico e, em seguida, encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande, onde foi preso em flagrante por feminicídio e permanece à disposição da Justiça.