Os pesquisadores brasileiros Mychael Lourenço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foram premiados por organizações internacionais por suas contribuições com pesquisas sobre a doença de Alzheimer.
Lourenço foi contemplado com o ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research, oferecido pela organização Alba a cientistas em meio de carreira com conquistas excepcionais.
“A gente continua tentando entender o que faz com que o cérebro se torne vulnerável e desenvolva a doença, inclusive olhando para o que a gente chama de resiliência para o Alzheimer. Tem pessoas como a Fernanda Montenegro, por exemplo, com 96 anos, e completamente lúcida e ativa. E tem pessoas que desenvolvem a placa de beta-amiloide no cérebro e não apresentam sintoma cognitivo. O que elas têm de diferente?”, comenta Lourenço .
Já Brum foi escolhido como o Next “One to Watch” (“O próximo para ficar de olho”, em tradução livre), prêmio concedido pela organização americana Alzheimer’s Association a jovens cientistas promissores.
“É muito bom ver que a comunidade de pesquisa internacional presta atenção no que a gente faz e valoriza o que a gente faz. Tem muita gente fazendo pesquisa de excelência no Brasil, em muitas áreas diferentes, e que merece visibilidade”, diz Brum.
Uma das linhas de pesquisa é voltada para o diagnóstico precoce da doença, o que pode possibilitar que ela seja controlada antes de causar danos irreversíveis ao cérebro. Lourenço coordena uma pesquisa que busca identificar se marcadores biológicos encontrados no sangue de pessoas com Alzheimer em outros países também são válidos para os brasileiros, e se a nossa população apresenta algum marcador específico.
As pesquisas com biomarcadores também foram responsáveis por colocar o médico Wagner Brum sob os holofotes. Hoje, ele faz doutorado na UFRGS e é pesquisador do Zimmer Lab, grupo de pesquisa sobre Alzheimer. Sua verve científica se manifestou desde cedo.
Sobre a doença
A Doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal. Ela se caracteriza pela deterioração da memória e das funções cognitivas, dificultando as atividades do dia a dia e provocando alterações de comportamento. A causa ainda é desconhecida.
O processo começa com uma falha no processamento de certas proteínas no sistema nervoso central. Isso gera fragmentos tóxicos que se acumulam dentro e entre os neurônios. Essa toxicidade causa a morte progressiva de células em regiões vitais do cérebro, como:
- Hipocampo: responsável pelo controle da memória.
- Córtex cerebral: essencial para a linguagem, o raciocínio, o pensamento abstrato e o reconhecimento de estímulos sensoriais.