Indicação visual de conteúdo ao vivo no site
Indicação visual de conteúdo ao vivo

Argentina acusada de injúria racial paga R$ 97 mil e deixa o Brasil

Ré depositou caução exigida pela Justiça do RJ e poderá retornar ao país de origem enquanto responde ao processo
Agostina Páez, ré por injúria racial, autorizada a deixar o Brasil após pagamento de caução ao TJ-RJ.

argentina Agostina Páez, ré por injúria racial, depositou o valor de aproximadamente R$ 97 mil determinado pela Justiça e está autorizada a deixar o Brasil. A decisão foi tomada pela Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que condicionou o retorno ao país de origem ao pagamento da caução e ao cumprimento de outras medidas.

O despacho foi assinado pelo desembargador Luciano Silva Barreto, relator do caso. Segundo ele, o valor funciona como garantia para eventual pagamento de multa e indenização às vítimas, caso haja condenação ao final do processo.

Caução garante saída do país

Com o depósito já realizado, a ré poderá retornar à Argentina. No entanto, ela deverá manter endereço atualizado e atender às convocações da Justiça brasileira. Além disso, o valor pago corresponde a 60 salários mínimos e representa parte da indenização solicitada pelo Ministério Público, que pode chegar a 120 salários mínimos.

O magistrado entendeu que não há mais necessidade de manter restrições, já que a fase de instrução do processo foi concluída. Por isso, a Justiça revogou medidas cautelares como retenção de passaporte e uso de tornozeleira eletrônica, desde que todas as exigências sejam cumpridas.

Decisão levou em conta posição do Ministério Público

O Ministério Público e a assistência de acusação não se opuseram ao retorno da acusada ao país de origem. Ambos concordaram com a liberação, desde que houvesse garantia financeira para reparar possíveis danos às vítimas.

O relator também considerou que a acusada é primária, possui profissão definida e colaborou com o andamento do processo. Além disso, ela apresentou manifestação pública de arrependimento.

Para o desembargador, manter a estrangeira no Brasil após o fim da instrução configuraria medida desproporcional e poderia caracterizar constrangimento ilegal.

Entenda o caso

O episódio ocorreu em janeiro deste ano, em um bar no bairro de Ipanema, na zona sul do Rio. Segundo a denúncia, a confusão começou após um desentendimento sobre o pagamento da conta.

Durante a discussão, a advogada teria feito ofensas raciais contra funcionários do estabelecimento. Testemunhas relataram que ela utilizou termos pejorativos, como “negro” e “mono”, além de imitar gestos de macaco. Parte da ação foi registrada em vídeo e utilizada como prova.

De acordo com o Ministério Público, as ofensas atingiram três funcionários, o que resultou na imputação de três crimes de injúria racial.

Prisão e andamento do processo

A Justiça chegou a decretar a prisão preventiva da acusada, mas a medida foi posteriormente revogada. Desde então, ela permanecia no Brasil sob medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Após o avanço do processo e o encerramento da fase de instrução, a defesa solicitou a revogação das restrições e o retorno da ré ao país de origem. O pedido foi aceito pela Justiça mediante o pagamento da caução.

A sentença do caso deve ser definida nos próximos dias. O Ministério Público defende a reparação financeira às vítimas, enquanto a defesa argumenta que a acusada reconheceu o erro e demonstrou arrependimento.


Continua após a publicidade

Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

VEJA TAMBÉM

Motorista perde controle, carro capota e vai parar em calçada de Santos

Motorista perde controle, carro capota e vai parar em calçada de Santos

Anvisa forma grupo para avaliar vacina contra dengue do Instituto Butantan

Anvisa forma grupo para avaliar vacina contra dengue do Instituto Butantan

Eduardo Bolsonaro pode ser condenado hoje em julgamento sobre tarifaço dos EUA. Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Eduardo Bolsonaro será julgado pelo STF em caso envolvendo tarifaço dos EUA

Plenário da Câmara dos Deputados durante a sessão de votação da PEC que propõe o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.

Comentários de ódio contra jovem morta geram investigação e reação política

Gostaria de receber as informações da região no seu e-mail?

Preencha seus dados para receber toda sexta-feira de manhã o resumo de notícias.