Neste sábado (4), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro completa um mês preso, em meio às negociações de um acordo de delação premiada que tem movimentado os bastidores políticos em Brasília.
Detido inicialmente durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, Vorcaro está atualmente na Superintendência da Polícia Federal na capital federal. No local, tem recebido advogados diariamente para organizar informações e estruturar a proposta de colaboração.
A expectativa em torno da delação cresceu nas últimas semanas.
Segundo interlocutores, o ex-banqueiro sinalizou disposição para apresentar uma colaboração ampla, com entrega de documentos, provas e nomes de possíveis envolvidos no esquema investigado. A estratégia da defesa é ampliar o alcance das revelações para tentar reduzir a pena.
Nos bastidores, há receio de que o conteúdo da delação possa atingir integrantes dos Três Poderes. Ainda assim, investigadores reforçam que qualquer acusação depende da apresentação de provas concretas e verificáveis, condição essencial para validação por parte do Ministério Público.
A defesa também trabalha com urgência para avançar nas negociações e tentar benefícios judiciais, como um eventual habeas corpus. No entanto, a avaliação interna é de que as chances de perdão total são remotas, mesmo diante de uma colaboração considerada relevante.
Outro fator que elevou a pressão sobre o caso foi o vazamento de mensagens que indicariam proximidade entre Vorcaro e autoridades.
A Polícia Federal realiza a análise de dados extraídos de aparelhos eletrônicos do ex-banqueiro, o que pode ampliar o alcance das investigações.
Relembre as motivações
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso no dia 4 de março deste ano durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em São Paulo.
Segundo as investigações, a operação apura suspeitas de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, ameaça e invasão de dispositivos informáticos. O foco é um suposto esquema bilionário envolvendo a venda de títulos de crédito falsos ligados ao Banco Master, que, de acordo com a Polícia Federal, faria parte de uma estrutura criminosa organizada ao longo dos anos.
Ele já havia sido preso em novembro de 2025, ao tentar embarcar em um voo para a Europa no Aeroporto de Guarulhos, sendo solto dez dias depois, quando passou a utilizar tornozeleira eletrônica.