A Secretaria de Saúde de Campinas passou a usar, nesta quarta-feira (15), um telerretinógrafo no Centro de Especialidades Médicas (CEEM), ampliando o acesso a exames oftalmológicos na rede municipal. Inédito no SUS local, o equipamento realiza retinografia digital com apoio de inteligência artificial (IA), agiliza diagnósticos e ajuda a priorizar casos mais graves.
Inicialmente, as vagas serão destinadas a pacientes já inseridos na linha de cuidado da oftalmologia, com ampliação gradual.
Como funciona o equipamento
O aparelho captura imagens de alta resolução da retina e utiliza algoritmos de IA para identificar alterações e sinalizar casos mais graves. As imagens são encaminhadas para análise e laudo de um especialista, que define os próximos encaminhamentos e garante prioridade aos pacientes com condições mais sérias.
Doenças rastreadas
Entre as condições rastreadas estão retinopatia diabética, glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e alterações vasculares. Doenças que, quando detectadas precocemente, permitem tratamentos mais eficazes.
“O diagnóstico precoce de algumas lesões de retina são essenciais para que não ocorra a perda da visão”, disse Ana Paula de Oliveira, coordenadora do CEEM.
Marcelle Regina Silva Benetti, diretora do Departamento de Ensino, Pesquisa e Saúde Digital (DEPS), destacou que a tecnologia representa um salto na agilidade do diagnóstico. “Com o uso de inteligência artificial, conseguimos qualificar o diagnóstico oftalmológico com tecnologia de ponta, mais agilidade na análise das imagens e maior segurança na continuidade do cuidado dos pacientes.”
Avanços no CEEM
Inaugurado em dezembro de 2024, o CEEM marcou o início de um novo modelo de saúde em Campinas, com atendimentos organizados por especialidades. O acesso é feito exclusivamente por encaminhamento dos centros de saúde ou de outros serviços da rede municipal, via central de regulação.
Atualmente, a unidade oferece consultas em áreas como oftalmologia, ortopedia, reumatologia e otorrinolaringologia, além de exames de imagem e outros procedimentos. Desde a abertura, foram realizados mais de 58,7 mil atendimentos até março de 2026, sendo 16 mil apenas em oftalmologia.
O investimento da Saúde na unidade resultou no fim da demanda reprimida em oftalmologia no último ano. Em setembro de 2024, havia 14.537 pacientes aguardando atendimento. Em cerca de um ano, esse número caiu para 2.461, redução de 83%. No mesmo período, a média mensal de consultas passou de 2 mil para 3 mil, aumento de 50%.