A Justiça de Serra Negra, no interior de São Paulo, condenou o padre Sidney Wilson Basaglia a seis anos de prisão pelo crime de violação sexual mediante fraude contra um adolescente que atuava como coroinha. Segundo o Ministério Público de São Paulo, os abusos ocorreram entre 2014 e 2016 em ambientes privados ligados à igreja.
O Ministério Público divulgou a condenação na quinta-feira (30). Conforme a investigação, a vítima tinha 14 anos quando os episódios começaram. Ainda segundo a Promotoria, o religioso utilizou a posição de liderança para conquistar a confiança do adolescente e manter uma relação de proximidade.
Em nota, a defesa reafirmou a inocência do padre e informou que recorrerá da sentença em segunda instância. Os advogados afirmam que o recurso pedirá a revisão das provas apresentadas no processo.
Como a relação começou
De acordo com a denúncia apresentada pelo promotor Gustavo Pozzebon, o padre convidou o adolescente para atuar como coroinha e passou a se aproximar dele após perceber o interesse do jovem pela vida religiosa.
Além disso, a acusação aponta que o religioso oferecia presentes e fazia convites frequentes para fortalecer o vínculo com a vítima. Segundo o Ministério Público, essa relação criou uma dependência emocional que facilitou a repetição dos abusos.
Os investigadores relataram que os episódios aconteceram em Serra Negra e Guarulhos, principalmente em locais privados, como a casa paroquial.

Justiça considerou abuso de autoridade
Na sentença, a Justiça destacou que o padre aproveitou a posição de autoridade religiosa para influenciar o adolescente. O documento também aponta que o religioso adotava estratégias para evitar suspeitas e dificultar reações da vítima.
Além disso, a decisão reconheceu como agravante o fato de o réu exercer liderança e influência sobre o jovem durante o período dos abusos.
Defesa vai recorrer da decisão
Após a divulgação da condenação, a defesa informou que buscará a revisão da sentença. Os advogados sustentam que o processo ainda será analisado em segunda instância e defendem a absolvição do religioso.
Enquanto isso, a decisão estabelece que o padre cumpra a pena inicialmente em regime semiaberto.
Serviço
Casos de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100. Além disso, vítimas e testemunhas também podem procurar delegacias, conselhos tutelares e unidades do Ministério Público.