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Pandemia? Surto de hantavírus em cruzeiro deixa mortos e mobiliza 5 países

Variante rara do hantavírus identificada em navio de luxo preocupa autoridades internacionais
Navio de cruzeiro MV Hondius associado ao surto de hantavírus e variante Andes em alerta sanitário.

O surto de hantavírus registrado no navio de cruzeiro MV Hondius já deixou três mortos e colocou autoridades de saúde de cinco países em alerta.

O caso chamou atenção após a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmar que a variante identificada no navio é a cepa Andes, considerada rara e a única conhecida com possibilidade de transmissão entre humanos em situações específicas.

O cruzeiro partiu da Argentina em 1º de abril e segue rumo às Ilhas Canárias, na Espanha. Segundo informações divulgadas pela AFP, ao menos oito casos estão ligados à embarcação, incluindo passageiros monitorados ou hospitalizados na Holanda, Suíça, Alemanha, África do Sul e Estados Unidos.

O assunto ganhou repercussão mundial após passageiros deixarem o navio antes da dimensão do surto ficar clara, ampliando o rastreamento de contatos em diferentes países.

No vídeo abaixo, especialistas e autoridades comentam o avanço do caso e as medidas adotadas após o surto no cruzeiro:

O que é o hantavírus?

O hantavírus é uma infecção transmitida principalmente pelo contato com secreções de roedores contaminados, como urina, saliva e fezes secas. A doença pode causar uma síndrome respiratória grave com alta taxa de letalidade.

A transmissão normalmente acontece pela inalação de partículas contaminadas suspensas no ar. Em casos mais raros, mordidas e arranhões de roedores também podem transmitir o vírus.

A cepa Andes, encontrada no surto do MV Hondius, preocupa porque é a única variante já associada à transmissão entre pessoas em contatos próximos e prolongados.

Por que o surto de hantavírus preocupa autoridades?

O principal motivo do alerta internacional é a circulação de passageiros por vários países antes da confirmação oficial do surto. Segundo o portal UOL, britânicos ficaram isolados em casa, passageiros passaram por monitoramento nos Estados Unidos e uma mulher realizou exames em Amsterdã após possível exposição.

Além disso, o ambiente fechado do navio virou um ponto importante para investigação epidemiológica. Passageiros compartilharam áreas comuns durante semanas, o que pode ajudar especialistas a entender melhor como ocorreu a transmissão.

A OMS informou que ainda não existe evidência de disseminação ampla do vírus, mas admitiu a possibilidade de surgirem novos casos nas próximas semanas devido ao período de incubação da cepa Andes, que pode chegar a seis semanas.

OMS descarta nova pandemia

Apesar da preocupação, a OMS reforçou que o cenário é diferente da pandemia de Covid-19. Em coletiva divulgada pela AFP, Maria Van Kerkhove, responsável pela prevenção de epidemias da organização, afirmou que o caso deve permanecer limitado.

“Isso não é o começo de uma nova pandemia de Covid-19”, declarou.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, também afirmou que a ameaça global permanece baixa e destacou que cinco dos oito casos já foram confirmados oficialmente como hantavírus.

Segundo a organização, o risco maior continua concentrado em contatos muito próximos, convivência prolongada ou atendimento hospitalar.

Como o hantavírus é transmitido?

A transmissão do hantavírus acontece principalmente pela inalação de partículas contaminadas presentes na urina, saliva e fezes de roedores infectados, segundo o Ministério da Saúde.

A pasta também informa que a transmissão entre humanos é considerada rara e foi registrada de forma esporádica na Argentina e no Chile, sempre associada à cepa Andes, identificada no surto do cruzeiro MV Hondius.

De acordo com o Ministério da Saúde, o período de incubação pode variar de 3 a 60 dias. Isso aumenta o alerta das autoridades sanitárias para monitorar passageiros e pessoas que tiveram contato próximo com casos confirmados nas últimas semanas.

O órgão ainda destaca que não existe tratamento específico contra a hantavirose. O atendimento médico costuma focar em suporte respiratório, hidratação e estabilização do paciente em casos mais graves.

Quais são os sintomas do hantavírus?

De acordo com o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), os sintomas iniciais costumam parecer com os de uma gripe comum.

Os principais sinais incluem:

  • Febre;
  • Dores musculares;
  • Fadiga;
  • Dor abdominal;
  • Náusea;
  • Vômito;
  • Diarreia.

Dias depois, alguns pacientes podem desenvolver falta de ar e acúmulo de líquido nos pulmões, quadro considerado mais grave.

Ainda não existe vacina ou tratamento específico contra o hantavírus. O atendimento médico costuma focar em suporte respiratório, hidratação e monitoramento intensivo.

O que acontece agora com o navio?

O MV Hondius segue em direção à ilha espanhola de Tenerife. Segundo autoridades locais, o navio não deve atracar diretamente no porto. Passageiros e tripulantes serão retirados da embarcação em uma operação isolada antes da repatriação.

Cerca de 150 pessoas continuam a bordo. A companhia Oceanwide Expeditions informou que não há novos passageiros com sintomas no momento.

As autoridades sanitárias continuam investigando onde ocorreu o primeiro contágio. A hipótese mais considerada aponta que um casal holandês pode ter sido exposto ao vírus durante uma viagem anterior pela Argentina, antes mesmo do embarque no cruzeiro.


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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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