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Glaucoma pode causar cegueira irreversível e muita gente descobre tarde demais

Diagnóstico precoce é fundamental para controlar o glaucoma e evitar a perda irreversível da visão
Exame oftalmológico detalhado em paciente para diagnóstico preventivo de glaucoma.

Resumo

  • O glaucoma pode avançar silenciosamente, causando perda de visão irreversível antes que os sintomas apareçam.
  • É a principal causa de cegueira irreversível no mundo, destacando-se no Dia Nacional de Combate ao Glaucoma em 26 de maio.
  • Tipos comuns incluem glaucoma de ângulo aberto, que é assintomático, e glaucoma de ângulo fechado, que provoca dor intensa e visão embaçada.
  • Fatores de risco incluem pressão intraocular alta, histórico familiar, idade acima dos 40 anos, diabetes e hipertensão arterial.
  • O glaucoma não tem cura, mas pode ser controlado com diagnósticos precoces e tratamentos adequados.

Muita gente acredita que enxergar bem significa estar com a saúde ocular em dia. Mas o glaucoma pode avançar durante anos sem causar dor, irritação ou sintomas perceptíveis. Quando os sinais aparecem, em muitos casos, parte da visão já foi perdida de forma irreversível.

A doença é considerada a principal causa de cegueira irreversível no mundo e ganha destaque no Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, lembrado em 26 de maio. A data faz parte da campanha Maio Verde, que busca conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento oftalmológico regular.

Segundo Luís Gustavo de Imparato Rodrigues Ribeiro, diretor administrativo e responsável técnico do IBV – Instituto Brasileiro da Visão, o glaucoma afeta progressivamente o nervo óptico, estrutura responsável por levar as informações visuais dos olhos até o cérebro. Sem tratamento, a doença pode comprometer progressivamente o campo de visão.

O que é glaucoma e por que ele é considerado silencioso?

O glaucoma é uma doença ocular que danifica progressivamente o nervo óptico. Em suas formas mais comuns, a perda da visão começa pelas áreas periféricas, enquanto a visão central permanece aparentemente normal.

De acordo com Luís Gustavo, esse é justamente um dos maiores perigos da doença.

“A pessoa com glaucoma só percebe algo errado nas fases mais avançadas da doença, e como essa perda visual é irreversível é muito importante o diagnóstico precoce”, explica.

Como o cérebro consegue compensar parte da perda visual no início, muitos pacientes passam anos sem perceber alterações importantes na visão.

Existem diferentes tipos de glaucoma?

Existem mais de 30 tipos de glaucoma, mas alguns são mais comuns que outros.

O glaucoma de ângulo aberto é o tipo mais frequente no Brasil e também o mais silencioso. Ele costuma evoluir lentamente e sem sintomas aparentes.

Já o glaucoma de ângulo fechado pode surgir de forma repentina, causando dor intensa, visão embaçada e aumento rápido da pressão ocular. Sem tratamento imediato, ele pode levar à cegueira.

Também existem os glaucomas congênitos, que aparecem ainda na infância, e os glaucomas secundários, relacionados a fatores como traumas, tumores, diabetes e uso prolongado de corticoides.

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Pessoa idosa com a mão sobre os olhos, ilustrando a preocupação com a perda de visão e a cegueira irreversível.
Foto: Canva

Quais sintomas o glaucoma pode causar?

Nas fases iniciais, o glaucoma normalmente não apresenta sintomas. Por isso, muitas pessoas convivem com a doença sem perceber alterações na visão.

Com a progressão do problema, alguns sinais podem começar a aparecer, principalmente quando já existe comprometimento do nervo óptico.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Perda gradual da visão periférica;
  • Dificuldade para enxergar no escuro;
  • Redução da percepção de contraste;
  • Dificuldade para leitura;
  • Sensação de visão em “túnel” nos casos mais avançados.

Em alguns tipos mais graves, o glaucoma também pode provocar dor intensa nos olhos, vermelhidão, náusea e visão embaçada, especialmente nas crises agudas de aumento da pressão ocular.

Segundo o especialista Luís Gustavo, a perda visual causada pela doença não pode ser revertida, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.

Quem faz parte do grupo de risco?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver glaucoma, alguns grupos precisam de atenção redobrada.

O principal fator de risco é o aumento da pressão intraocular. Porém, o IBV alerta que nem todo paciente com glaucoma apresenta pressão elevada e nem toda pessoa com pressão alta nos olhos desenvolve a doença.

Além disso, outros fatores aumentam o risco, como:

  • Histórico familiar de glaucoma;
  • Idade acima dos 40 anos;
  • Diabetes;
  • Hipertensão arterial;
  • Miopia;
  • Algumas características genéticas e étnicas.

Segundo o especialista do IBV, pessoas com parentes próximos diagnosticados devem informar isso ao oftalmologista durante as consultas de rotina.

Close-up de um olho humano sendo examinado com luz clínica para detectar sinais precoces de glaucoma.
Foto: Magnific

Quais exames ajudam no diagnóstico precoce?

O diagnóstico do glaucoma depende de uma avaliação oftalmológica completa. Muitos casos são descobertos justamente em exames de rotina, antes mesmo do surgimento de sintomas.

Entre os principais exames utilizados estão:

  • Medição da pressão intraocular;
  • Exame de fundo de olho;
  • Análise do nervo óptico;
  • Exame de campo visual;
  • Tomografia de coerência óptica (OCT);
  • Paquimetria, que mede a espessura da córnea.

“O exame oftalmológico com análise do nervo óptico é fundamental, e é por ele que muitos pacientes são diagnosticados como suspeita de glaucoma”, afirma representante do IBV.

A partir de que idade o acompanhamento deve ser feito?

O IBV – Instituto Brasileiro da Visão recomenda que toda pessoa faça acompanhamento oftalmológico regular ao longo da vida. Mas os cuidados devem aumentar especialmente após os 40 anos.

“Recomenda-se que a partir dos 40 anos toda pessoa faça uma avaliação oftalmológica completa, mesmo sem ter nenhuma queixa”, destaca Luís Gustavo.

Para quem não apresenta fatores de risco, consultas a cada dois anos já ajudam no monitoramento da saúde ocular. Já pacientes do grupo de risco podem precisar de acompanhamento anual ou ainda mais frequente.

Símbolo da campanha Maio Verde de conscientização sobre o combate ao glaucoma e saúde dos olhos.
Foto: Canva

Glaucoma tem cura?

O glaucoma não tem cura, mas possui controle. Quanto mais cedo acontece o diagnóstico, maiores são as chances de impedir a progressão da doença e preservar a visão.

Os tratamentos podem incluir colírios, laser e até cirurgia, dependendo do estágio e do tipo do glaucoma. O problema é que as áreas da visão já comprometidas não podem ser recuperadas.

Por isso, vale reforçar que esperar os sintomas aparecerem pode ser perigoso.

Hábitos ajudam a proteger a saúde ocular

Embora não exista uma fórmula capaz de prevenir totalmente o glaucoma, alguns hábitos ajudam no cuidado geral com os olhos e contribuem para uma melhor qualidade de vida.

Entre as recomendações estão:

  • Manter alimentação equilibrada;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Usar óculos com proteção UV;
  • Evitar automedicação;
  • Controlar doenças como diabetes e hipertensão;
  • Consultar o oftalmologista regularmente.

“O hábito mais importante de todos é consultar seu oftalmologista regularmente”, reforça Luís Gustavo.

No Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, o principal alerta é simples: cuidar da visão deve fazer parte da rotina de saúde, assim como exames cardiológicos e check-ups clínicos. Em muitos casos, uma consulta de rotina pode fazer a diferença entre preservar ou perder a visão.


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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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