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Dia Nacional do Café reforça papel da bebida na cultura e na economia brasileira

Data destaca avanço dos produtos gourmet e presença nas relações sociais
Café

O Dia Nacional do Café, celebrado neste 24 de maio, destaca a presença histórica da bebida na cultura brasileira e sua relevância para a economia do país. Símbolo do cotidiano nacional, o café mantém espaço na rotina de milhões de brasileiros, ao mesmo tempo em que movimenta cadeias produtivas ligadas ao agronegócio, indústria, comércio, logística, turismo e pesquisa.

Em 2026, a data também coincide com um momento de recuperação do consumo no Brasil, impulsionado pela desaceleração dos preços nos supermercados e pela expectativa de safra recorde no país. O Brasil é atualmente o maior produtor e o segundo maior consumidor de café do mundo. Presente no café da manhã, nos encontros familiares, nas pausas do trabalho e nas relações sociais, o chamado “cafezinho” ultrapassa a função alimentar e ocupa um papel simbólico na vida dos brasileiros.

O setor também segue em transformação, com consumidores mais atentos à qualidade, origem e experiência de consumo, além do crescimento dos cafés especiais e gourmet. Em regiões historicamente ligadas à cafeicultura, como Campinas e o interior paulista, o café continua influenciando a identidade econômica e cultural local. Empresas tradicionais do setor, como a Café Canecão, fundada em Campinas em 1962, refletem essa continuidade histórica da bebida na região.

Grãos movimentam uma das cadeias produtivas mais importantes do agronegócio brasileiro. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Consumo volta a crescer em 2026

Após um período de retração provocado pela alta dos preços em 2024 e 2025, o consumo de café voltou a apresentar crescimento no Brasil neste ano. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) mostram que, nos primeiros quatro meses de 2026, o consumo da bebida cresceu 2,44% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 4,9 milhões de sacas de 60 quilos.

A recuperação ganhou força principalmente a partir de março, quando o avanço chegou a 10,25% na comparação com março de 2025. Em abril, o crescimento continuou, embora em ritmo mais moderado, com alta de 3,66%.

Segundo o diretor executivo da entidade, Celírio Inácio, o comportamento do mercado começou a mudar após um período de forte impacto provocado pela valorização do produto.

O ano de 2025 foi bastante resiliente com a cafeicultura em geral e culminou com queda no consumo. Começamos o ano de 2026 ainda não recuperando totalmente, mas em março começamos a mostrar um crescimento maior”, afirmou para a Agência Brasil.

Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o consumo havia registrado queda de 2,31% em relação ao período anterior, reflexo direto do aumento expressivo dos preços ao consumidor.

Queda nos preços influencia retomada

A retomada do consumo ocorre em um cenário de maior oferta da matéria-prima no mercado interno. Após os picos registrados entre o fim de 2024 e o início de 2025, os preços começaram a desacelerar ao longo deste ano.

No caso do café tradicional, a redução chegou a 15,51% em abril de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O quilo passou a custar, em média, R$ 55,34.

Das oito categorias monitoradas pela ABIC, apenas três apresentaram alta nos preços ao consumidor: cafés especiais, com aumento de 16,9%; descafeinados, com 21%; e café solúvel, com 0,55%.

A expectativa do setor é de que a produção brasileira registre uma safra histórica em 2026. Para o presidente da ABIC, Pavel Cardoso, a perspectiva de maior oferta tende a estabilizar o mercado e contribuir para novos recuos nos preços ao consumidor.

“Em 2026 nós teremos uma safra maior do que a de 2025, com potenciais chances de ser maior do que em 2020, quando tivemos uma safra recorde”, afirmou.

Segundo ele, a manutenção desse cenário pode estimular nova recuperação do consumo ao longo do ano, principalmente diante da redução da volatilidade no mercado.

Café permanece como símbolo afetivo dos brasileiros

Embora o setor tenha passado por mudanças importantes nas últimas décadas, o café continua associado a hábitos cotidianos e relações sociais no país. O consumo da bebida está presente em diferentes gerações e atravessa ambientes domésticos e profissionais.

Para empresas tradicionais do setor, a relação afetiva do brasileiro com o café ainda é um dos principais pilares do mercado. Prestes a completar 64 anos, o Café Canecão avalia que o produto mantém forte ligação emocional com os consumidores.

“O Café Canecão está prestes a comemorar 64 anos. Isso por si só nos torna uma marca com tradição e respeito ao consumidor. Somente empresas comprometidas com a qualidade conseguem permanecer tantos anos no mercado e no dia a dia das pessoas. Não é à toa que nosso slogan é ‘Café Canecão, o café no seu melhor momento’, pois essa bebida tem esse papel afetivo na vida dos brasileiros mesmo”, informou a empresa à VTV News, por meio de Natal Martins, diretor de marketing e relações institucionais do Café Canecão.

O chamado “cafezinho” também segue associado a práticas de hospitalidade e convivência. Em escritórios, comércios, residências e encontros sociais, oferecer café permanece como gesto comum de recepção.

O Café Canecão mantém tradição no setor cafeeiro e atua na industrialização e distribuição de café no interior paulista. Foto: Rogério Capela/Divulgação

Consumidor se torna mais atento à qualidade

Nos últimos anos, o perfil do consumidor brasileiro de café passou por mudanças importantes. O crescimento dos cafés especiais e o aumento da oferta de produtos no mercado ampliaram o interesse por qualidade, origem dos grãos, métodos de preparo e experiências de consumo.

Segundo o Café Canecão, o setor passou por um processo gradual de profissionalização, especialmente após a criação de mecanismos de certificação e controle de qualidade.

“Quando começamos o setor era muito desorganizado, sem padrão de qualidade, o que tornava a concorrência bastante desleal para as empresas que buscavam oferecer um produto de qualidade”, informou a empresa.

A mudança, segundo a companhia, ganhou força com a atuação da ABIC, especialmente a partir da criação do Programa de Pureza, em 1989, e do Selo de Qualidade, lançado em 2004.

O Café Canecão foi uma das associadas fundadoras da entidade e mantém todos os seus produtos certificados. Atualmente, a marca possui linhas nas categorias Tradicional, Extra-Forte, Superior e Gourmet.

“As certificações foram fundamentais para trazer segurança aos consumidores e também para valorizar as empresas que se preocupam em oferecer cafés de qualidade”, destacou a empresa.

A popularização das cápsulas também é apontada como fator de transformação no mercado brasileiro. O acesso facilitado a diferentes perfis de bebida e métodos de preparo ampliou o interesse do consumidor por novos sabores e experiências.

“A chegada das cápsulas popularizou a experiência e o acesso a cafés mais diversificados e isso fez com que um novo mercado de consumo de café se expandisse”, informou o Café Canecão.

Apesar do avanço dos segmentos gourmet e especiais, o café tradicional ainda lidera o consumo nacional.

“O café Tradicional ainda é o produto mais consumido e ele está cada vez melhor, graças às certificações, que elevam o padrão de qualidade de todo o mercado”, acrescentou a empresa.

Campinas mantém ligação histórica com a cafeicultura

A história do café no Brasil também passa pelo interior paulista. Campinas, uma das principais cidades do estado de São Paulo, teve crescimento econômico diretamente ligado à expansão da cafeicultura ao longo do século XIX.

A produção cafeeira impulsionou o desenvolvimento urbano, a infraestrutura ferroviária e o crescimento econômico da região. Parte da riqueza gerada pelo café contribuiu para a formação de centros urbanos importantes no interior paulista.

Até hoje, Campinas mantém relação próxima com o setor cafeeiro, tanto na indústria quanto na pesquisa e na inovação. Empresas ligadas ao processamento e distribuição de café seguem presentes na região, além de instituições voltadas ao desenvolvimento agrícola.

Fundado em Campinas, o Café Canecão mantém sua sede no município e possui centros de distribuição em Lins e Juquiá, no Vale do Ribeira.

“O interior de São Paulo não só tem tradição, como tem um ótimo mercado consumidor e apreciador de cafés de qualidade”, informou a empresa.

A companhia também destaca que o impacto econômico do café vai além da produção agrícola.

“Quando falamos de café, precisamos pensar além da lavoura. Nós do Café Canecão, por exemplo, atuamos a partir da industrialização do café, logística e comércio, mas o produto ainda movimenta pesquisa, turismo e milhares de empregos diretos e indiretos”, destacou.

Segundo a empresa, Campinas também se consolidou como polo de inovação ligado ao setor.

“Em Campinas, isso também se conecta à inovação, já que a região abriga importantes centros de pesquisa ligados ao setor cafeeiro”, acrescentou.

Setor movimenta empregos e cadeia produtiva

O café continua sendo uma das commodities agrícolas mais relevantes da economia brasileira. A cadeia produtiva envolve desde o cultivo nas lavouras até a industrialização, transporte, exportação, comercialização e serviços relacionados.

Além dos empregos diretos na agricultura, o setor movimenta atividades ligadas à torrefação, moagem, embalagens, logística, cafeterias, turismo rural e comércio varejista.

Empresas tradicionais também passaram a incorporar práticas ambientais e sociais em suas operações. O Café Canecão informa que vem ampliando ações relacionadas à agenda ESG, incluindo destinação sustentável de resíduos e desenvolvimento de embalagens biodegradáveis.

Segundo a companhia, iniciativas sociais e ambientais já impactaram mais de 30 mil pessoas nos últimos anos.

A empresa possui cerca de 80 colaboradores distribuídos entre a matriz de Campinas e as filiais localizadas no interior paulista.

Além disso, foi uma das primeiras indústrias de café do Brasil certificadas pela ISO 9001, em 1999, e recebeu o primeiro Selo de Pureza da ABIC em 1989.

Linha de produção do Café Canecão em Campinas integra processo de torra, moagem e distribuição de café para diferentes regiões do país. Foto: Firmino Piton/Divulgação

Cafés especiais ganham espaço no mercado

Embora o café tradicional ainda concentre a maior parte do consumo nacional, os cafés especiais seguem em expansão no Brasil. O segmento vem acompanhado por mudanças no comportamento do consumidor, especialmente em centros urbanos.

O interesse por métodos filtrados, grãos de origem controlada, torra artesanal e experiências sensoriais impulsionou cafeterias especializadas e novos nichos de mercado.

Esse movimento também ampliou o debate sobre rastreabilidade, sustentabilidade e qualidade do produto.

Para especialistas do setor, o crescimento dos cafés especiais reflete uma mudança gradual no padrão de consumo, semelhante ao que ocorreu em outros mercados alimentícios, como vinhos e cervejas artesanais.

Ao mesmo tempo, entidades do setor ressaltam que a melhoria da qualidade média do café tradicional também contribuiu para elevar o nível de exigência do consumidor brasileiro.

Café continua presente no cotidiano brasileiro

Apesar das mudanças de mercado, o café segue associado a hábitos simples do cotidiano. A bebida permanece presente em diferentes momentos do dia, seja no início da manhã, durante intervalos de trabalho ou em encontros familiares.

No Brasil, o café também está ligado à ideia de acolhimento. Em muitos ambientes, oferecer um cafezinho ainda funciona como gesto social de recepção e convivência.

Essa permanência cultural ajuda a explicar a estabilidade histórica do consumo da bebida no país, mesmo em períodos de oscilações econômicas e alta de preços.

O Brasil ocupa posição de destaque tanto na produção quanto no consumo mundial, cenário que mantém o café como elemento estratégico da economia nacional e parte da identidade cultural brasileira.

Presente no cotidiano dos brasileiros, a bebida mantém relevância cultural, econômica e afetiva em diferentes gerações. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Consumo moderado pode trazer benefícios à saúde

Além do peso cultural e econômico, o café também segue no centro de estudos sobre saúde e alimentação. Pesquisas recentes apontam que o consumo moderado da bebida pode trazer benefícios, embora os efeitos variem de acordo com características individuais.

A nutricionista Valéria Paschoal, da VP Centro de Nutrição Funcional, afirma que as reações ao café dependem do metabolismo de cada pessoa.

“Há pessoas que tomam o café e pequenas quantidades têm impacto na saúde, como maior hiperatividade e dificuldade de relaxamento, mas é coisa individual”, explicou.

Segundo ela, de maneira geral, estudos indicam que o consumo de até 360 miligramas de cafeína por dia — o equivalente aproximado a seis xícaras de café — não costuma provocar prejuízos à saúde em pessoas sem restrições específicas.

A especialista também destaca pesquisas relacionadas aos compostos presentes na bebida.

“Outras pesquisas demonstram que o cafestol, o fitoquímico presente no café, tem atividade antioxidante na prevenção de várias doenças”, afirmou.

Por outro lado, o consumo excessivo pode gerar efeitos negativos em alguns casos, especialmente relacionados ao sono, irritação gástrica e absorção de cálcio.

Segundo Valéria Paschoal, o preparo coado e o consumo de café orgânico podem representar opções mais adequadas para quem busca hábitos alimentares equilibrados.

“Este é o mais saudável”, recomendou.

Data celebra tradição nacional

Criado para marcar o início da colheita nas principais regiões cafeeiras do Brasil, o Dia Nacional do Café se consolidou como uma das principais datas do calendário do setor.

Mais do que destacar a importância econômica da bebida, a celebração também reforça a presença do café na formação cultural brasileira e no cotidiano da população.

Em 2026, a data ocorre em meio à expectativa de crescimento da produção, recuperação do consumo e ampliação do mercado de cafés especiais. Mesmo diante das transformações do setor, o tradicional cafezinho segue ocupando espaço central nos hábitos dos brasileiros e na história econômica do país.


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Autor

  • Laís Seguin

    Formada em Jornalismo pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e atua na imprensa desde 2021 como repórter de cotidiano, comportamento e variedades. Produz conteúdos voltados ao dia a dia da população, com foco em informação acessível e de interesse regional.

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