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Entenda por que Deolane Bezerra terá de retirar o megahair na prisão

Regras de segurança, higiene e rotina prisional explicam exigência feita à influenciadora em penitenciária do interior de SP
Advogada e influenciadora Deolane Bezerra, foco da notícia sobre a obrigatoriedade de retirada de extensões capilares na Penitenciária de Tupi Paulista.

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra precisará retirar o mega hair para permanecer na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. A determinação faz parte dos protocolos internos da unidade prisional e ganhou repercussão nas redes sociais nos últimos dias.

Além do alongamento capilar, Deolane também não poderá utilizar brincos, piercings e outros acessórios durante o período de custódia.

Segundo policiais penais, a retirada do mega hair ocorre por questões de segurança. Dependendo do comprimento do alongamento, os fios poderiam ser utilizados em tentativas de fuga, inclusive por outras detentas. Há ainda o entendimento de que o material poderia ser amarrado a objetos, como lençóis, facilitando ações consideradas de risco dentro da unidade.

A influenciadora está presa em um pavilhão especial localizado no antigo setor de proteção da penitenciária. De um lado fica o pavilhão disciplinar e, do outro, o chamado espaço de Estado Maior, destinado a advogados presos preventivamente.

A separação ocorre porque o Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994) garante que advogados permaneçam em cela especial até eventual condenação definitiva, quando não houver mais possibilidade de recursos. Caso a unidade não possua espaço adequado, a legislação prevê possibilidade de prisão domiciliar.

Atualmente, Deolane não divide cela com presas comuns e também não possui contato com as demais detentas da penitenciária.

Ela utiliza uniforme padrão do sistema prisional e recebe os mesmos itens fornecidos às outras internas, como colchão, travesseiro, toalha, lençóis e cobertores.

Especialista explica protocolos adotados nos presídios

Em entrevista ao VTV News, o advogado criminalista e especialista em Direito Penal e Processo Penal Yuri Cruz afirmou que pessoas presas continuam sendo titulares de direitos fundamentais, porém passam a seguir protocolos rígidos de segurança institucional.

Segundo ele, o sistema penitenciário trabalha com regras padronizadas de fiscalização e controle de itens corporais que possam dificultar inspeções ou gerar riscos operacionais.

Na prática, extensões capilares podem ser enquadradas nesses protocolos dependendo das normas internas de cada unidade.

Yuri Cruz explicou que as justificativas mais comuns envolvem dificuldade de inspeção manual e visual, possibilidade de ocultação de objetos proibidos e padronização das revistas feitas diariamente no ambiente prisional.

“O sistema prisional atua muito na prevenção de riscos, inclusive daqueles considerados de baixa probabilidade. Não significa necessariamente que aquela pessoa represente perigo específico, mas sim que existem regras gerais voltadas à segurança da unidade”, afirmou.

O especialista destacou ainda que não existe uma lei federal específica sobre mega hair dentro do sistema prisional. Entretanto, a administração penitenciária possui autonomia para estabelecer normas internas relacionadas à segurança e à rotina operacional.

Segundo ele, medidas administrativas como essa normalmente são determinadas pela própria direção penitenciária, sem necessidade de autorização judicial prévia. O Judiciário costuma analisar posteriormente apenas casos de suposto excesso ou violação de direitos.

Para Yuri Cruz, a repercussão do caso também revela um desconhecimento sobre o funcionamento interno das penitenciárias brasileiras.

“Muitas pessoas enxergam a prisão apenas como privação da liberdade, mas existe toda uma rotina administrativa, disciplinar e operacional ligada à segurança institucional”, explicou.

Detalhe de procedimento de manutenção de mega hair em mechas de cabelo, ilustrando o tipo de alongamento capilar proibido pelos protocolos de segurança prisional.
Manutenção de mega hair – Foto: Reprodução

Mega hair exige manutenção constante

Além das questões de segurança, o caso também levantou dúvidas sobre os cuidados necessários para manter um mega hair saudável por longos períodos.

A especialista em mega hair Camila Ferreira (@_cfmegahairbeauty), proprietária de um salão em Bragança Paulista, explicou ao VTV News que o alongamento exige manutenção frequente e cuidados específicos para evitar danos aos fios naturais e ao couro cabeludo.

Segundo ela, os procedimentos variam conforme a técnica utilizada, mas incluem lavagem correta da raiz, secagem adequada, escovação diária e manutenção periódica com profissional especializado.

“Em média, a manutenção precisa acontecer em até 60 dias para evitar tração excessiva e danos ao cabelo natural”, afirmou.

Sem esse acompanhamento, o mega hair pode provocar embaraçamento, formação de nós, acúmulo de resíduos, excesso de oleosidade e desconforto no couro cabeludo.

Camila explicou ainda que técnicas como queratina, microlink, fita adesiva e costura exigem métodos específicos de retirada para evitar quebra e danos aos fios naturais.

Quando o mega hair permanece muito tempo sem manutenção, a remoção tende a se tornar mais demorada devido ao crescimento natural do cabelo e ao embaraçamento das mechas.

A especialista também alertou que a falta de higienização adequada pode favorecer acúmulo de resíduos e agravar problemas dermatológicos já existentes.

Sobre os comentários envolvendo piolhos nas redes sociais, Camila esclareceu que o mega hair não provoca infestação, mas pode dificultar a identificação e o tratamento caso isso aconteça.

Investigação envolve suposta ligação com o PCC

Deolane foi presa na quinta-feira (21) durante uma operação que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo as investigações, o grupo utilizaria empresas de fachada, contas bancárias e patrimônio de alto padrão para ocultar recursos atribuídos à facção criminosa.

Em nota oficial, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que todos os presos do estado estão sujeitos às normas vigentes do sistema prisional paulista.

A defesa da influenciadora foi procurada, mas não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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