A Justiça de São Paulo determinou a nova prisão dos policiais militares Júnior César Rodrigues e Leonardo Machado Prudêncio, acusados de matar Gabriel Junior Oliveira Alves da Silva, de 22 anos, durante uma abordagem em Piracicaba. O Tribunal de Justiça acolheu um recurso do Ministério Público e revogou a liberdade provisória concedida aos agentes no fim de 2025.
Gabriel morreu após levar um tiro na cabeça durante uma ocorrência registrada em 1º de abril de 2025, no bairro Vila Sônia. Além disso, vídeos gravados por moradores registraram momentos da ação policial e da abordagem à esposa da vítima, que estava grávida.
Tribunal revoga liberdade e determina prisão preventiva
Os dois policiais ficaram presos temporariamente em junho de 2025 por homicídio e coação no curso do processo. No entanto, em dezembro do mesmo ano, a Justiça autorizou que respondessem ao processo em liberdade mediante medidas cautelares.
Agora, os desembargadores analisaram o caso novamente e, por unanimidade, decidiram revogar o benefício e decretar a prisão preventiva dos agentes.
Segundo o tribunal, a medida busca preservar a ordem pública, proteger a investigação e impedir possíveis interferências no andamento do processo. Atualmente, os policiais respondem por homicídio qualificado, tortura e fraude processual.
Além disso, a Justiça também investiga outros policiais por suposta coação de testemunhas e por condutas relacionadas ao caso.
Morte ocorreu durante abordagem policial
De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais patrulhavam a região quando decidiram abordar Gabriel por considerarem sua atitude suspeita.
A Polícia Militar afirma que o jovem resistiu à abordagem e avançou contra os agentes com uma pedra nas mãos. Diante da situação, um dos policiais disparou e atingiu Gabriel na cabeça.
Por outro lado, familiares e testemunhas contestam essa versão.
Vídeos gravados por moradores mostram a esposa de Gabriel, Rebeca Miriam Alves Braga, sendo puxada por um policial durante a ocorrência. Segundo a família, o jovem tentou proteger a mulher, que estava grávida, antes de ser baleado.
Enquanto isso, o Ministério Público e a Polícia Civil continuam investigando o caso para esclarecer a dinâmica dos fatos e as circunstâncias que antecederam o disparo.

Denúncias de tortura ampliaram investigação
Além da acusação de homicídio, o processo inclui denúncias de tortura contra a esposa da vítima durante a abordagem.
Segundo os autos, a mulher relatou agressões físicas, ameaças e constrangimentos enquanto acompanhava a ação policial. Por isso, os investigadores passaram a considerar essas acusações no processo criminal dos agentes.
Durante as apurações, peritos analisaram as armas utilizadas pelos policiais no inquérito policial militar instaurado para esclarecer o caso.
Moradores denunciaram intimidação após o crime
Dias depois da morte de Gabriel, moradores do bairro organizaram manifestações para pedir justiça.
Segundo a família e vizinhos, viaturas da Polícia Militar retornaram à região em diferentes ocasiões após o crime. De acordo com os relatos, os agentes permaneceram próximos aos protestos e, posteriormente, retiraram placas instaladas pela população em homenagem ao jovem.
Além disso, a esposa da vítima afirmou que a presença dos policiais causou medo entre os moradores.
Na época, a Secretaria da Segurança Pública informou que reforçou o policiamento ostensivo na região.
Defesas ainda podem se manifestar
Até o momento, a Polícia Militar mantém o posicionamento de que não tolera desvios de conduta e afirma que apurará eventuais irregularidades conforme a legislação.
Já a defesa dos policiais não havia se manifestado sobre a nova ordem de prisão até a publicação da decisão.
Enquanto isso, a Justiça dá continuidade ao processo, que segue para as próximas etapas da instrução criminal.