Uma mulher de 37 anos foi presa em flagrante em Joinville, no Norte de Santa Catarina, suspeita de se passar por uma adolescente de 12 anos para enganar pessoas. Segundo a Polícia Civil, ela usava o nome falso de “Gabriele” e chegou a ser acolhida informalmente por uma família, com quem viveu por cerca de 14 meses.
A investigação aponta que a mulher responderá pelos crimes de estelionato e falsa identidade. Após prestar depoimento, ela foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanece à disposição da Justiça.
Família pretendia oficializar adoção
De acordo com a Polícia Civil, a suspeita conseguiu conquistar a confiança da família, da comunidade e de integrantes de uma igreja da região.
Segundo os investigadores, os responsáveis pela casa passaram a tratá-la como filha e demonstravam interesse em formalizar a adoção. Eles chegaram a organizar comemorações, comprar medicamentos para obesidade e oferecer todos os cuidados necessários à suposta adolescente.
No entanto, a mulher evitava qualquer procedimento oficial e não apresentava documentos pessoais.
Suspeita dizia ter fugido de maus-tratos
As investigações revelaram que a mulher procurou uma igreja em Joinville e contou ao pastor que havia fugido do Pará por sofrer maus-tratos.
Sensibilizada, a comunidade religiosa começou a ajudá-la financeiramente e providenciou um local para que ela morasse. Com o passar do tempo, uma família se envolveu emocionalmente e decidiu acolhê-la em casa.
Segundo a Polícia Civil, ela dizia que não frequentava a escola porque temia que um suposto pai abusador descobrisse seu paradeiro.
Comportamentos infantis reforçavam o disfarce
Para sustentar a falsa identidade, a suspeita afirmava ter Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições clínicas. Ela também alegava que características físicas de uma pessoa adulta eram consequência do uso forçado de hormônios durante a infância.
Além disso, a mulher adotava hábitos e comportamentos infantilizados. Segundo a investigação, ela utilizava mamadeiras, chupetas e um “cheirinho” para dormir. Os policiais também apuraram que a suspeita afinava a voz, simulava carência e relatava crises de pânico durante a noite para reforçar a imagem de adolescente.

Parente desconfiou da história e procurou a polícia
As suspeitas surgiram depois que um familiar das vítimas passou a questionar a versão apresentada pela mulher.
A partir das informações recebidas, a Polícia Civil iniciou as investigações e identificou que a suposta adolescente tinha, na verdade, 37 anos.
Durante o interrogatório, a suspeita confessou integralmente os crimes, segundo os investigadores.
Polícia identificou golpes semelhantes em outros estados
As diligências apontaram que a mulher possui antecedentes por casos semelhantes em diversos estados brasileiros.
Conforme a Polícia Civil, há registros de ocorrências em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Os investigadores consideram a suspeita reincidente nesse tipo de golpe.