A mulher de 37 anos presa em Joinville (SC) por se passar por uma adolescente de 12 anos também é investigada por aplicar o mesmo tipo de golpe em pelo menos cinco estados brasileiros. Além disso, o caso, que já teve a reportagem publicada pelo VTV News, ganhou novos desdobramentos envolvendo ocorrências anteriores no Rio de Janeiro e apuração sobre possíveis questões de saúde mental da suspeita.
Caso no Rio de Janeiro ocorreu em 2023
Em 2023, no Rio de Janeiro, a suspeita teria utilizado outra identidade e se apresentado como uma adolescente em situação de vulnerabilidade. Conforme apuração do VTV News e relatos divulgados por mulheres que afirmam ter convivido com ela, a investigada conseguiu acolhimento após relatar um suposto histórico de violência familiar e abandono.
Além disso, essas mulheres relataram o caso em redes sociais após a repercussão da prisão em Santa Catarina. Segundo os relatos, a suspeita reforçava narrativas de extrema vulnerabilidade e afirmava ter sofrido abusos na infância, além de relatar dificuldades graves no convívio familiar.
Atendimento médico e agulhas no corpo
Ainda no episódio registrado no Rio de Janeiro, há informações de que a mulher passou por atendimento médico enquanto se apresentava como adolescente. Durante esse atendimento, exames teriam identificado a presença de agulhas no corpo, localizadas por meio de exames de imagem.
No entanto, as circunstâncias em que esses objetos foram introduzidos ainda não foram esclarecidas. Portanto, o caso segue sem conclusão oficial sobre a origem do material.
Vítimas relatam nas redes como conheceram a suspeita
Segundo relatos publicados nas redes sociais, em 2023 a suspeita procurou ajuda por meio da internet e entrou em contato com Viviane Henriques, responsável pelo Instituto Mãos que Abençoam com Amor, no Rio de Janeiro.
Sensibilizada com a história apresentada pela suposta adolescente, Viviane pediu apoio à amiga Renata Magalhães para acolher e prestar assistência à jovem.
Após a repercussão da prisão em Santa Catarina, as duas publicaram um vídeo no TikTok relatando como conheceram a mulher, os cuidados prestados e as circunstâncias que levaram à descoberta da farsa.
Padrão de atuação em diferentes estados
A Polícia Civil de Santa Catarina afirma que a suspeita repetiu o mesmo padrão de atuação em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Rio de Janeiro. De acordo com os investigadores, o método envolvia a criação de identidades falsas, além de relatos de violência extrema.
Dessa forma, ela teria conseguido acesso a famílias e comunidades de acolhimento, onde permaneceu por longos períodos. Segundo a investigação, a suspeita reforçava histórias de vulnerabilidade para consolidar vínculos emocionais e sustentar as fraudes.
Investigação sobre saúde mental
Com a repercussão do caso, a investigação também passou a avaliar a possibilidade de a suspeita apresentar questões relacionadas à saúde mental. Por isso, a defesa solicitou a realização de exame de sanidade mental, que foi autorizado pela Justiça.
Até o momento, no entanto, não há resultado pericial conclusivo sobre essa avaliação.

Prisão em Joinville durou 14 meses de convivência
No caso mais recente, a mulher viveu cerca de 14 meses com uma família em Joinville, onde se apresentava como “Gabriele” e afirmava ter 12 anos. A descoberta ocorreu depois que uma parente desconfiou da versão apresentada e acionou a polícia.
A partir disso, a Polícia Civil confirmou a verdadeira identidade da suspeita e reuniu indícios de reincidência em diferentes estados.
Caso segue em investigação
A mulher responde por estelionato e falsa identidade e permanece à disposição da Justiça. Além disso, as investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e esclarecer a extensão dos episódios registrados ao longo dos últimos anos.