A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, os Estados Unidos já enfrentam críticas relacionadas à recepção de delegações, torcedores e profissionais ligados ao torneio. Casos de revistas rigorosas em aeroportos, restrições migratórias e dificuldades de acesso ao país atingiram seleções, árbitros e fãs de diferentes nacionalidades. Os episódios ocorreram antes mesmo da bola rolar e aumentaram os questionamentos sobre a organização de uma competição que historicamente simboliza a união entre os povos por meio do esporte.
Casos envolvendo delegações e árbitros aumentam repercussão
O que historicamente é um evento de união dos povos tem se mostrado bastante problemático para algumas nações nesta edição da Copa do Mundo. Nas últimas semanas, diferentes episódios colocaram os processos migratórios e a logística dos Estados Unidos no centro das atenções.
Um dos casos mais comentados envolveu a delegação de Senegal. Segundo informações divulgadas pelo ICL Notícias, integrantes da comissão técnica da seleção africana passaram por uma rigorosa revista ainda na pista do aeroporto, na Carolina do Norte, antes de receberem autorização para entrar no país.
De acordo com os relatos, os membros da delegação foram submetidos a uma inspeção completa com detectores de metal. Os agentes realizaram a varredura corporal dos pés à cabeça antes de liberar a entrada do grupo nos Estados Unidos. O procedimento chamou a atenção pela rigidez aplicada a uma delegação credenciada para disputar a Copa do Mundo.
Outro episódio afetou diretamente a arbitragem do torneio. A FIFA confirmou que o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan não poderá participar da competição após ter sua entrada nos Estados Unidos negada pelas autoridades migratórias. O profissional seria o primeiro árbitro da Somália a trabalhar em uma Copa do Mundo. A entidade informou que ele ficará fora dos treinamentos e das partidas do Mundial.
As dificuldades também atingiram atletas convocados para a competição. O atacante suíço Breel Embolo enfrentou problemas relacionados à liberação de sua documentação para ingressar nos Estados Unidos durante a preparação para o torneio. Embora a situação tenha sido resolvida posteriormente, o caso repercutiu na imprensa internacional e ampliou a lista de episódios envolvendo participantes da Copa.
Enquanto isso, a Federação de Futebol do Irã afirmou que torcedores iranianos tiveram ingressos revogados para partidas da fase de grupos disputadas em território americano. Além disso, dirigentes da entidade relataram dificuldades envolvendo vistos e a entrada de integrantes ligados à seleção no país-sede.
Somados, os episódios aumentaram os questionamentos sobre a forma como os Estados Unidos estão conduzindo os processos de recepção dos participantes do Mundial. Afinal, diferentes seleções, profissionais e torcedores relataram obstáculos antes mesmo do início da competição.

Bielsa critica organização e reforça debate sobre o Mundial
As críticas ganharam ainda mais força após declarações do argentino Marcelo Bielsa, técnico da seleção do Uruguai. Durante uma entrevista coletiva, o treinador fez duras observações sobre a estrutura oferecida para a realização da Copa.
“Todos se queixam das estruturas e organização, das estruturas de treinamento e nos aeroportos, assim como da detenção de jogadores, fotógrafos, árbitros, treinadores, e será a pior edição da Copa do Mundo de todos os tempos”, afirmou Bielsa.
A declaração repercutiu porque reúne reclamações que vêm sendo feitas por diferentes participantes do torneio. Entre elas estão problemas em aeroportos, dificuldades de deslocamento, questões migratórias e críticas às estruturas de apoio disponibilizadas para delegações e profissionais.
Os episódios registrados antes do início da competição contrastam com a imagem tradicional da Copa do Mundo. Ao longo de décadas, o torneio se consolidou como um dos maiores símbolos de integração cultural e esportiva do planeta. Entretanto, as controvérsias envolvendo algumas delegações mostram que, desta vez, os debates fora de campo também ocupam espaço relevante na preparação para o Mundial.
Apesar disso, a FIFA e as autoridades locais seguem com os preparativos finais para a abertura da competição. Ainda assim, os problemas relatados por seleções, árbitros e torcedores já transformaram a organização do torneio em um dos temas mais discutidos deste início de Copa.
