O Irã iniciará sua participação na Copa do Mundo de 2026 em meio a uma série de desafios extracampo. Classificada para o torneio desde março de 2025, a seleção iraniana chega ao Mundial que começa nesta quinta-feira (11) enfrentando restrições de entrada nos Estados Unidos, preocupações com protestos em estádios e divergências com a Fifa. O cenário ganhou novos capítulos nesta semana após autoridades do país afirmarem que poderão interromper partidas caso ocorram manifestações consideradas hostis à equipe durante os jogos da competição.
Questões políticas ampliam desafios da delegação iraniana
A preparação iraniana para a Copa tem sido marcada por questões que vão além do futebol. Conforme revelou reportagem do UOL, integrantes da delegação enfrentam condições diferentes das aplicadas à maioria das seleções participantes do torneio, especialmente por causa das tensões diplomáticas entre Irã e Estados Unidos.
Embora tenha garantido vaga no Mundial com antecedência, a equipe encontrou dificuldades relacionadas à emissão de vistos e à logística de deslocamento. Atualmente treinando em Tijuana, no México, a delegação não poderá permanecer em território norte-americano durante toda a competição. Segundo determinações das autoridades dos Estados Unidos, os iranianos poderão entrar no país apenas próximo às datas de seus compromissos oficiais.
Além disso, dirigentes da federação iraniana também reclamaram da retirada de parte da cota de ingressos destinada aos seus torcedores. A medida teria afetado fãs que já planejavam acompanhar a seleção durante a Copa.
Especialistas ouvidos pelo UOL apontam que o tratamento diferenciado gera questionamentos sobre a igualdade de condições entre as seleções participantes, princípio previsto nos regulamentos da própria Fifa para competições internacionais.

Ameaça de paralisação aumenta clima de tensão
Enquanto tenta resolver questões logísticas, a seleção iraniana também acompanha preocupações relacionadas ao ambiente nos estádios. Segundo informações divulgadas pela Reuters e reproduzidas pela CNN Brasil, o ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Donyamali, afirmou que a federação comunicou à Fifa que poderá solicitar a interrupção das partidas caso sejam exibidas bandeiras consideradas não oficiais ou sejam entoados cânticos contra a equipe nacional.
A declaração ocorre após manifestações registradas nos últimos meses contra a participação do país no torneio. Em abril, grupos protestaram durante eventos ligados à Fifa em Vancouver e defenderam a exclusão do Irã da competição.
Outro tema que gerou repercussão envolve a partida contra o Egito, marcada para Seattle. De acordo com a Reuters, as federações dos dois países solicitaram à Fifa que evitasse ações relacionadas ao orgulho LGBTQIA+ durante o confronto, que ocorrerá no mesmo período de eventos ligados à Parada do Orgulho da cidade.
Dentro de campo, o Irã tentará manter o foco na campanha esportiva. A seleção integra o Grupo G e fará sua estreia diante da Nova Zelândia, em Los Angeles, no dia 15 de junho. Depois, enfrentará a Bélgica e encerrará sua participação na fase de grupos contra o Egito.
Dessa forma, a equipe chega ao Mundial carregando uma pressão incomum. Além da busca por resultados esportivos, os iranianos precisarão lidar com um contexto político e diplomático que transformou sua participação em uma das histórias mais delicadas da Copa do Mundo de 2026.