O professor apontado como autor do envio de mensagens com teor sexual a um estudante na Etec de Cubatão, na Baixada Santista, ministrava aulas de Ética e Cidadania Organizacional, conforme a grade horária da unidade. Ele é investigado após um boletim de ocorrência registrado pela vítima no último domingo (9).
De acordo com o Centro Paula Souza (CPS), responsável pelas Etecs, a disciplina tem como objetivo formar profissionais capazes de atuar de maneira ética, responsável e comprometida dentro das organizações, aliando conhecimentos técnicos a valores relacionados ao respeito às pessoas e à responsabilidade social.
O cronograma de aulas divulgado no site oficial da instituição também mostra que o investigado lecionava na modalidade M-TEC, que oferece aos alunos do Ensino Médio uma formação técnica profissionalizante em meio período durante os três anos do ciclo escolar. Entre as disciplinas estão economia, logística e linguagens.

O documento mostra que o docente era responsável por 34 aulas, incluindo ECO – sigla para Ética e Cidadania Organizacional – no ano de 2024, quando as primeiras mensagens teriam sido enviadas à vítima.

Em nota nesta quarta-feira (10), o CPS informou que o docente será “afastado cautelarmente de suas atividades até a conclusão da apuração preliminar do caso” (leia o posicionamento completo ao fim da reportagem). O professor foi procurado pela reportagem, mas ainda não se manifestou. O espaço, porém, segue aberto.
Perseguição
Eduardo Inocêncio, de 20 anos, estudou na Etec entre 2023 e 2024, período em que cursou o técnico em Administração. Segundo ele, as primeiras mensagens chegaram em maio do último ano na unidade. Pelo WhatsApp, o remetente fazia elogios de cunho sexual, chamando o jovem de “lindo” e “gostoso”.
Desconfiado, Eduardo procurou maneiras de descobrir quem estava por trás do número desconhecido, e encontrou a sugestão de simular uma transferência bancária para verificar se o telefone estava vinculado a uma chave Pix. Com isso, conseguiu visualizar um nome e parte do Cadastro de Pessoa Física (CPF) do titular. Ao identificar o nome de um professor da unidade, o estudante bloqueou imediatamente o contato.

Meses depois, em outubro de 2024, outro número passou a enviar mensagens semelhantes. O jovem procurou a escola, que verificou que os dígitos do CPF correspondiam ao cadastro do docente e o orientou a registrar o BO.
No entanto, segundo Eduardo, ele não recebeu mais retorno da instituição ao longo de 2025 e o procedimento acabou não sendo concluído. Já no domingo, o ex-aluno voltou a ser procurado, desta vez pelo Telegram, por um perfil com o nome do professor. “A insistência nos contatos, apesar dos bloqueios realizados, tem me causado constrangimento, desconforto e sensação de insegurança”, relatou o jovem no registro policial.
Ao VTV News, a vítima contou que decidiu expor o caso nas redes sociais após sentir que as mensagens tinham conteúdo sexualmente sugestivo. “Em nenhum momento eu me senti acolhido pela escola. Houve apenas essa orientação [de registrar a denúncia] e, depois disso, não tive nenhum retorno nem da Etec, nem do Centro Paula Souza”, afirmou.

Posicionamento
Em nota, o Centro Paula Souza (CPS), responsável pela administração das Etecs, informou nesta quarta-feira (10) que o professor foi afastado cautelarmente até a conclusão da apuração preliminar. A instituição afirmou ainda que o caso foi encaminhado à Controladoria Geral do Estado e que acompanha as investigações.
O CPS declarou, ainda, que a direção da Etec de Cubatão prestou acolhimento ao ex-aluno e o orientou a registrar boletim de ocorrência. A entidade também informou que possui uma comissão interna de prevenção ao assédio moral e sexual e reiterou que repudia qualquer forma de assédio.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), por sua vez, informou que o caso é investigado pelo 3º Distrito Policial (DP) de Cubatão. Segundo a pasta, diligências estão em andamento para esclarecer os fatos. “Demais detalhes serão preservados para garantir a autonomia do trabalho policial”, acrescentou.