O uso do celular ao volante resultou em 5,5 mil autuações em Campinas entre janeiro e maio de 2026. Apesar de representar uma queda de 7,1% em relação ao mesmo período do ano passado, a prática continua entre as infrações mais registradas no trânsito da cidade e é apontada como um fator de risco para acidentes graves e fatais.
Em 2025, as infrações por uso de celular na direção ocuparam a quinta posição entre as condutas mais cometidas no trânsito de Campinas, somando 13,6 mil autuações. Os números consideram apenas as multas efetivamente aplicadas após os períodos de defesa e recursos.
A infração inclui situações em que o motorista utiliza o telefone celular enquanto dirige, seja segurando o aparelho ou manuseando-o durante o trajeto. Até maio de 2026, foram registradas:
- 452 infrações por dirigir utilizando o telefone celular. A penalidade é considerada média, com multa de R$ 130,16 e quatro pontos na CNH.
- 3.780 infrações por dirigir segurando o telefone celular em uma das mãos. Nesse caso, a infração é gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH.
- 1.280 infrações por dirigir manuseando o telefone celular. A penalidade também é gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH.
Comparação com o ano passado

As 5,5 mil infrações registradas neste ano representam uma queda de 7,1% em relação às 5,9 mil multas por uso de celular contabilizadas no mesmo período de 2025. Segundo a Emdec, um dos fatores que ajudam a explicar essa redução é o avanço das tecnologias de comunicação por voz.
“Esse comportamento de risco depende da constatação visual por parte dos agentes da mobilidade urbana em campo. Atualmente, com o avanço tecnológico, os dispositivos são acessados em viva voz, sem que haja o manuseio do aparelho, dificultando a constatação, o que explica a queda no número de infrações”, explicou o coordenador de Fiscalização e Operação de Trânsito da Emdec, Marcelo Carpenter.
“Apesar disso, a orientação aos condutores é que evitem interações que possam dispersar a atenção durante a condução do veículo, como medida de proteção à sua vida e à do próximo”, completou.
Distração é fator de risco
O uso de celular ou de equipamentos eletrônicos por motoristas e pedestres está entre os fatores de risco identificados nas análises de mortes no trânsito. A prática compromete a percepção e a capacidade de tomada de decisão. A distração também pode ocorrer em situações como discussões, brigas no trânsito ou ao desviar a atenção para objetos e pessoas dentro do veículo.
Em 2026, ainda não houve registros de mortes no trânsito com comprovação de envolvimento de distração. No entanto, esse fator nem sempre pode ser identificado no momento do sinistro e, geralmente, depende da confirmação dos envolvidos, o que contribui para a subnotificação dos casos.