A Polícia Federal ampliou as investigações sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A nova fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada nesta quinta-feira (18). Durante a ação, os agentes apreenderam US$ 49 mil e 13 relógios em um hotel de luxo em Brasília onde o parlamentar reside. Além disso, a corporação apura o uso de avião particular e o custeio de ingressos para um show nos Estados Unidos. Segundo os investigadores, os benefícios teriam sido concedidos pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master.
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia. Paralelamente, equipes da corporação fizeram buscas na residência particular do senador, em Salvador.
PF apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro
Segundo a corporação, a nova etapa da operação busca esclarecer a possível participação de um agente público com foro privilegiado em um esquema de irregularidades no sistema financeiro.
De acordo com a PF, os fatos investigados podem configurar corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além das buscas, o STF determinou medidas cautelares contra os investigados. Entre elas estão a proibição de contato entre os alvos, a suspensão dos passaportes e o monitoramento eletrônico.
Relatório cita viagens em avião particular
Conforme a investigação, Augusto Lima teria colocado sua aeronave particular à disposição de Jaques Wagner e familiares em diversas ocasiões.
Um dos episódios ocorreu em outubro de 2023. Na época, o empresário disponibilizou o avião para uma viagem até uma ilha de sua propriedade, na região de Salvador. Além disso, mensagens analisadas pela PF mostram que Augusto Lima enviou ao senador o prefixo da aeronave e os horários do voo.
Já em abril de 2024, segundo os investigadores, Jaques Wagner pediu ao empresário o contato do piloto para um deslocamento ao Rio de Janeiro. Dessa forma, a PF considera que a frequência das viagens demonstra uma relação de proximidade entre os dois.
PF também investiga camarote em show nos EUA
As investigações apontam ainda que Augusto Lima teria pago ingressos para familiares do senador em um show de uma cantora internacional em Los Angeles.
Segundo a Polícia Federal, em junho de 2023 o empresário orientou a compra das entradas por meio da empresa Reag Investimentos S.A. O valor total da operação teria sido de R$ 63,3 mil. Além disso, os ingressos garantiriam acesso a um camarote.
Meses depois, conforme mensagens obtidas pelos investigadores, Jaques Wagner teria solicitado mais bilhetes para ampliar o grupo de acompanhantes. Por isso, a PF avalia que os benefícios fazem parte de um conjunto de vantagens supostamente oferecidas ao parlamentar.

Outros pagamentos também são analisados
Além das viagens e dos ingressos, a PF investiga a compra de um apartamento de alto padrão avaliado em R$ 2,5 milhões. Os agentes também analisam repasses de aproximadamente R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada à nora do senador.
Na avaliação da corporação, os pagamentos podem integrar um esquema de vantagens indevidas relacionado ao Banco Master e a empresas associadas. Ao mesmo tempo, os investigadores tentam identificar se houve contrapartidas em decisões políticas e administrativas.
Defesas se manifestam
Em nota, a defesa de Augusto Lima classificou as medidas da Polícia Federal como desnecessárias. Segundo os advogados, o empresário está à disposição das autoridades há seis meses.
Além disso, a defesa afirmou que Augusto Lima sempre atuou dentro da legalidade e disse que as investigações ajudarão a esclarecer os fatos.
Por outro lado, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou apoio às apurações. Ele também afirmou confiar na conduta de Jaques Wagner. Segundo Edinho, o senador terá oportunidade de esclarecer os fatos e comprovar a própria inocência.
Até a publicação desta reportagem, a defesa de Jaques Wagner ainda não havia se manifestado sobre a operação.