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Influenciadores investigados por jogos ilegais são presos em Piracicaba

Casal é suspeito de ameaçar e agredir jovem por acreditar que ela teria colaborado com investigações sobre esquema de apostas on-line

Um casal de influenciadores digitais investigado por envolvimento em um esquema de apostas on-line foi preso nesta quinta-feira (18), em Piracicaba (SP). Amanda, conhecida nas redes sociais como Amanda Fidelis, e Caio, que se apresentava no Instagram como Kaio Grau, são suspeitos de ameaçar e agredir a influenciadora Marcela Meneghetti, de 20 anos, após acreditarem que ela teria colaborado com as investigações sobre o grupo.

Os três são citados nas apurações relacionadas à Operação Tiger. Amanda Fidelis e Kaio Grau ganharam popularidade nas redes sociais com a divulgação de plataformas de apostas e com conteúdos relacionados ao chamado “grau”, manobras realizadas com motocicletas. Já Marcela Meneghetti também foi apontada nas investigações como influenciadora que promovia jogos de apostas nas redes sociais.

Até a última atualização do caso, a Polícia Civil não havia informado onde ocorreram as prisões.

Jovem foi agredida em estabelecimento no bairro Astúrias

De acordo com as investigações, o caso aconteceu na madrugada de 6 de junho, em um estabelecimento comercial no bairro Astúrias, em Piracicaba.

Segundo a Polícia Civil, o casal abordou Marcela Meneghetti e Amanda passou a agredi-la com tapas, arranhões e chutes. Ainda conforme a apuração, Caio impediu que outras pessoas que estavam no local interferissem.

Depois da confusão, os dois seguiram a influenciadora até a casa do namorado dela. No endereço, voltaram a fazer ameaças e a orientaram a não procurar as autoridades.

Um laudo do Instituto de Criminalística confirmou as lesões sofridas por Marcela.

Polícia vê tentativa de intimidar a vítima

O delegado Ivan Luis Constâncio, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba, afirmou que Amanda e Caio acreditavam que Marcela os teria denunciado. No entanto, segundo ele, essa suspeita não corresponde ao que foi apurado.

Ainda de acordo com o delegado, a Justiça decretou a prisão preventiva do casal porque havia indícios de que os dois tentavam intimidar a vítima e interferir em um possível depoimento.

Além dos crimes investigados na Operação Tiger, Amanda e Caio também devem responder por coação no curso do processo.

Valores em espécie apreendidos durante as investigações da Operação Tiger. Foto: Polícia Civil.

Operação Tiger investiga esquema milionário

Amanda Fidelis e Kaio Grau também são investigados na Operação Tiger, que apura crimes de lavagem de dinheiro, exploração de jogos de azar on-line e organização criminosa.

Em março deste ano, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em 20 endereços da região de Piracicaba. A operação teve como alvo uma rede de influenciadores digitais suspeita de utilizar perfis com grande alcance para divulgar plataformas de cassino virtual não regulamentadas.

As investigações apontam que o grupo pode ter movimentado cerca de R$ 5 milhões. Segundo a Polícia Civil, as apurações estão em fase avançada e novos desdobramentos podem ocorrer.

Defesa considera prisão desproporcional

O advogado Gustavo Henrique Pires, responsável pela defesa dos investigados, informou que ainda não teve acesso integral aos elementos que embasaram a decisão da Justiça.

Em nota, a defesa afirmou que considera a prisão preventiva uma medida desproporcional e excessiva. O advogado também disse que os fatos apurados não configuram ameaça nem coação no curso do processo.

Por fim, Gustavo Henrique Pires afirmou que pretende apresentar provas para contestar as acusações e pedir a reversão da decisão judicial.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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