A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro postou um vídeo de 27 minutos em suas redes sociais expondo as lacunas e o racha político e familiar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Michelle afirmou também que foi maltratada pelo enteado, o senador Flávio Bolsonaro.
“Não foi fácil chegar até aqui. Tentei o silêncio. Escolhi a paz para não expor a minha família. Fiquei calada por muito tempo. Mas há um limite para o quanto uma pessoa consegue suportar ataques e mentiras”, disse ela na abertura do vídeo.
Crise de alianças
O pronunciamento foi dividido em duas partes. Michelle explicou que muitos detalhes enfraqueceram as alianças do Partido Liberal (PL), gerando apoios e rejeições entre os políticos e a família.
Segundo a ex-primeira-dama, o racha político ficou visível quando o partido rejeitou os pedidos de Bolsonaro. Até então, o ex-presidente estava repassando as ordens por meio da esposa, já que ele inicialmente estava preso na Papuda e, há três meses, cumpre prisão domiciliar.
Impasse no Ceará
Ao explicar que todas as suas ações estavam em comum acordo com o marido, Michelle desabafou, dizendo que os aliados estavam “cagando para o meu marido”.
Para embasar sua fala, ela citou o estado do Ceará como o cenário principal dessa rejeição, já que o PL estadual negou o pedido para que fossem concedidas três vagas de candidatas ao Senado para mulheres.
As vagas seriam para: Priscila Costa, Carol de Toni e Bia Kicis
Michelle, que é presidente do PL Mulher, havia pedido na época a ajuda da vereadora Priscila Costa (PL-CE) para eleger um político e que agora a apoia para o Senado.
Além disso, segundo ela, o partido estaria negociando uma aliança com Ciro Gomes. Na explicação, Michelle classificou a atitude como incoerente, já que o responsável por solicitar a inelegibilidade de Jair Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi justamente Ciro.
“Ciro Gomes foi o principal responsável pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido. […] Durante uma live, ele incentivou as pessoas a chamarem o meu marido de genocida”, declarou.
De acordo com a legislação, os partidos precisam preencher a cota de 30% de candidaturas femininas. Segundo Michelle, o total do PL era de 17 vagas para concorrer ao Senado.
Rompimento com o entiado
Ao saber da possível aliança, Michelle tentou entrar em contato com o enteado, mas afirmou que as ligações não foram atendidas. No entanto, após ela publicar uma nota de repúdio, Flávio telefonou.
“Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele”, afirmou.
🚨 BOMBA 🚨
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) June 24, 2026
Michelle Bolsonaro acaba de expor, num vídeo de 27 minutos, que Flávio Bolsonaro a atacou, maltratou, humilhou e excluiu como presidenta do PL Mulher.
Mas vale lembrar: o PL Mulher é uma das principais organizações que luta CONTRA os direitos das mulheres e meninas… pic.twitter.com/XiqbFZoaIn
“Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ‘ontem’ e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. Então, eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, finalizou.
Flávio ainda não se pronunciou oficialmente, mas após a publicação de Michelle, o senador fez uma live no YouTube para falar sobre o “esquenta” do jogo entre Brasil e Escócia. No vídeo, ele disse que “hoje é dia de jogo. Nada e ninguém me aborrece”.