Depois do primeiro caso de raiva registrado em Campinas em dez anos, a Unidade de Vigilância de Zoonoses iniciou, nesta semana, uma ação de vacinação contra a doença no Cemitério da Saudade, onde a gata infectada vivia antes de ser resgatada. A iniciativa também contempla os animais de estimação de moradores da região que ainda não receberam a imunização.
No cemitério, a aplicação das doses foi adaptada à rotina dos felinos que vivem no local. A imunização é feita nos horários em que eles são alimentados, com o apoio das cuidadoras e protetoras que acompanham a colônia. Os que permanecem na área externa, próximos às bancas de flores, também estão sendo vacinados.
A ação foi definida a partir de um levantamento realizado na última sexta-feira e no sábado (31 e 1º). Durante o trabalho, equipes da Zoonoses percorreram o bairro, contabilizaram a quantidade de cães e gatos em cada residência e identificaram quais estavam com a vacinação em atraso.
Segundo a Prefeitura, a vacinação deve ser concluída nos próximos dias. Após essa fase, serão realizadas novas ações para evitar a propagação da doença e orientar a população sobre os cuidados necessários. Entre as próximas medidas está uma ação educativa voltada aos visitantes do cemitério, com orientações para que evitem tocar, brincar ou interagir com os que vivem no local.
Histórico
A cidade confirmou o1º caso de raiva em uma gata jovem, rajada, com pelagem branca na barriga, que havia sido abandonada no Cemitério da Saudade, no bairro Swift. O animal foi encontrado doente por protetoras independentes e teve o diagnóstico confirmado.
Após ser encaminhada para uma clínica veterinária, a gata apresentou sinais que levantaram a suspeita da doença. A UVZ foi acionada em 21 de julho, realizou a coleta de amostras e confirmou o resultado positivo para raiva na última quarta-feira (29).
Durante o atendimento veterinário, um funcionário da clínica foi arranhado pelo animal. Como já tinha recebido a imunização contra a raiva, ele foi encaminhado a uma unidade de saúde para avaliação. A fêmea morreu no local.
Raiva
A raiva é uma infecção grave causada por um vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae, que pode atingir mamíferos, incluindo os seres humanos. O vírus provoca uma inflamação no cérebro e, quando não há tratamento em tempo adequado, quase sempre evolui para a morte.
Transmitida principalmente pelo contato com a saliva de animais infectados, a raiva chega às pessoas geralmente por meio de mordidas. O vírus também pode passar por arranhões ou lambidas desses animais. O tempo entre a infecção e o surgimento dos sinais varia de acordo com a espécie, podendo durar de dias a anos. Nos seres humanos, esse período é, em média, de 45 dias, mas pode ser menor em crianças.
Nos cães e gatos, a eliminação do vírus pela saliva começa de dois a cinco dias antes do aparecimento dos primeiros sinais da doença e continua durante todo o período em que o animal permanece infectante. Segundo o Ministério da Saúde, a morte do animal ocorre, em média, entre cinco a sete dias após o início dos sintomas.
Após o período de incubação, quando o vírus permanece no organismo antes do surgimento dos sinais da doença, aparecem as primeiras manifestações da raiva. Essa fase costuma durar de 2 a 10 dias e apresenta características que podem ser confundidas com outros problemas de saúde. Entre os principais estão:
- Mal-estar geral;
- Anorexia;
- Náuseas;
- Entorpecimento;
- Inquietude;
- Pequeno aumento de temperatura;
- Dor de cabeça;
- Dor de garganta;
- Irritabilidade;
- Sensação de angústia.
Cuidados
A vacina contra a raiva aplicada antes de um possível contato com o vírus facilita o atendimento caso a pessoa seja mordida ou arranhada por um animal infectado. Nesses casos, quem já recebeu a proteção não precisa tomar o soro, que tem disponibilidade mais limitada, e também precisa de menos doses do imunizante.
Essa preparação permite que o organismo responda mais rapidamente a uma possível exposição, pois o sistema de defesa já reconhece o vírus. Além disso, a iminização anual de cães e gatos é uma medida eficaz para evitar a circulação da raiva nesses animais e, consequentemente, reduzir o risco de transmissão para as pessoas.
A Prefeitura orienta que moradores que tenham tido algum contato considerado de risco com animais, mesmo sem ocorrência de mordida ou arranhão, procurem a UVZ pelo telefone (19) 2515-7044 para avaliação do caso. A vacinação antirrábica gratuita permanece disponível durante todo o ano, mediante agendamento, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Os interessados em receber a imunização devem entrar em contato com a unidade pelo mesmo número para marcar o atendimento.
