A chegada de um ciclone bomba ao Estado de São Paulo nesta quinta-feira (6) levou a Defesa Civil de Campinas a colocar as equipes do Sistema Municipal de Proteção e Defesa Civil em estado de atenção. O fenômeno, provocado pela rápida queda da pressão atmosférica, deve alterar as condições climáticas, com registro de chuvas intensas, raios, ventos moderados a fortes e possibilidade de temporais até o fim de semana.
De acordo com o órgão estadual, as condições adversas podem causar impactos em diferentes regiões, com ocorrência de descargas elétricas e rajadas capazes de derrubar árvores e galhos, provocar destelhamentos, afetar o fornecimento de energia elétrica e gerar transtornos no trânsito.
Diante da possibilidade de eventos severos, a rede de estações meteorológicas foi ampliada para fortalecer o acompanhamento das condições climáticas no município e a prevenção de ocorrências. As novas unidades, instaladas em escolas municipais no Parque Oziel e no Jardim Florence I, reforçam a capacidade de monitoramento das variações do tempo na cidade.
A partir dessa ampliação, os equipamentos passam a fornecer dados em tempo real sobre volume de chuva, temperatura, umidade do ar e velocidade dos ventos. As informações auxiliam no acompanhamento das mudanças meteorológicas e permitem maior agilidade na emissão de alertas preventivos para a população.
Além do monitoramento realizado pelos órgãos responsáveis, a adoção de medidas de segurança pelos moradores é fundamental durante períodos de instabilidade. Durante a ocorrência de chuvas intensas e ventos fortes, a população deve seguir alguns cuidados:
- Não fique debaixo de árvores durante ventos fortes e tempestades;
- Não estacione veículos perto de árvores, placas ou estruturas que possam cair;
- Em caso de raios, procure abrigo em um local seguro e evite permanecer em áreas abertas;
- Guarde ou prenda objetos que possam ser levados pelo vento;
- Evite atividades ao ar livre durante a chuva;
- Não use fogo para limpar terrenos e não jogue bitucas de cigarro em áreas com vegetação, pois o tempo seco ainda favorece queimadas;
- Acompanhe os avisos emitidos pelos canais oficiais da Defesa Civil.
Previsão do tempo
Os efeitos do ciclone devem se intensificar nos próximos dias. Em São Paulo, as rajadas de vento mais fortes são esperadas para amanhã (7), quando o avanço do sistema também poderá atingir o estado do Rio de Janeiro. Já no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, há possibilidade de chuva intensa, ventos fortes, queda de granizo e formação de tornados em áreas isoladas.
Com o avanço das instabilidades, outras regiões do estado também devem sentir os impactos do sistema. A previsão indica pancadas de chuva de moderadas a fortes, acompanhadas de raios e rajadas de vento que podem chegar a 50 km/h na maior parte de São Paulo. Em áreas como o Vale do Ribeira e a Região Metropolitana de São Paulo, os ventos podem ser ainda mais intensos, com rajadas de até 70 km/h.
Além dos ventos e da chuva, a Defesa Civil alerta para a possibilidade de ocorrência de granizo, principalmente em pontos da faixa leste do estado. Apesar de os modelos meteorológicos não indicarem volumes expressivos, não estão descartados temporais isolados e eventuais transtornos associados às condições climáticas.
As condições do tempo, no entanto, devem variar entre as regiões paulistas. No noroeste e no norte do estado, o dia deve ser de bastante sol e calor, com a umidade do ar mais baixa. A chuva, quando ocorrer, deve aparecer apenas no fim da tarde, em pontos isolados e por pouco tempo.
Ciclone bomba
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) monitora a evolução de um ciclone extratropical de forte intensidade, com possibilidade de transformação em um ciclone bomba entre os dias 6 e 8 de agosto. O sistema deve avançar pela região entre a Argentina, o Uruguai, o Sul do Brasil e o Oceano Atlântico, com previsão de provocar temporais, ventos fortes, granizo e queda acentuada das temperaturas.
A possibilidade de intensificação do sistema está associada às condições atmosféricas favoráveis para uma ciclogênese explosiva, também conhecida como bombogênese ou ciclone bomba, segundo o Inmet. O fenômeno ocorre quando uma área de baixa pressão se intensifica rapidamente em cerca de 24 horas. A confirmação dessa classificação, no entanto, dependerá da evolução da pressão atmosférica durante a formação do ciclone.
A partir dessa configuração atmosférica, as previsões meteorológicas indicam que o sistema começa a se organizar hoje (6), entre o norte da Argentina e o Paraguai, com deslocamento em direção ao Uruguai e ao litoral do Rio Grande do Sul. A expectativa é que o ciclone atinja sua maior intensidade no sábado (8), antes de avançar para o Oceano Atlântico.