A Polícia Civil investiga um suposto esquema de estelionato que teria usado falsas vagas de emprego na área da saúde para aplicar golpes em médicos de diferentes cidades. As investigações são conduzidas pelo 7º Distrito Policial (DP) de Santos, que cumpriu, na última terça-feira (4), mandados de busca e apreensão.
Segundo a polícia, o investigado, de 21 anos – que terá a identidade preservada -, teria criado uma empresa de telemedicina* para oferecer oportunidades fictícias de trabalho. Em um dos casos, uma médica recebeu a proposta de um salário de R$ 28 mil para prestar atendimentos a uma empresa logística.
➡️ Telemedicina é quando um médico atende um paciente à distância, por videochamada, telefone ou aplicativo, sem que os dois precisem estar no mesmo lugar.
Ainda conforme a investigação, após apresentar a suposta contratação, ele exigia que os profissionais contratassem um seguro médico para concluir a admissão; as vítimas realizavam pagamentos que variavam entre R$ 4,1 mil e R$ 7,2 mil e, além do prejuízo financeiro, entregavam documentos pessoais, diplomas, comprovantes de residência, carteira profissional e até acesso à conta Gov.br.
Dimensão do esquema
Conforme apurado pelo VTV News, a investigação começou depois que algumas médicas perceberam que haviam sido vítimas de um golpe e procuraram a delegacia. De acordo com a Polícia Civil, uma delas chegou a acreditar que havia sido contratada e passou a indicar outros profissionais para a suposta empresa. Ao menos 18 médicos teriam efetuado os pagamentos exigidos durante o falso processo de admissão.
As investigações também apontaram registros de boletins de ocorrência semelhantes em diferentes municípios, todos com o mesmo modo de atuação. Segundo a polícia, o investigado acumula cerca de 36 registros policiais, a maioria relacionada a crimes de estelionato, como falsas transferências via Pix, promessas de emprego, contratação fictícia de serviços e até golpes praticados com o uso indevido dos dados da própria mãe.
Com base nos indícios reunidos, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão em dois endereços ligados ao investigado, em Barueri (SP), além da quebra dos sigilos telefônico e fiscal e do bloqueio de contas bancárias. Durante o cumprimento das ordens judiciais, no entanto, ele não foi localizado.