O passageiro que estava no veículo que atropelou e matou André Luis Menezes da Silva, de 45 anos, disse à Polícia Civil que ouviu um “estrondo”, mas não percebeu que o carro havia atingido uma pessoa, segundo o advogado de defesa. O caso aconteceu na quinta-feira (3), em São Vicente, no litoral de São Paulo.
Em alta velocidade, o veículo atingiu o coletor de lixo, que estava a caminho do trabalho, e o arremessou contra uma parede. André foi encontrado com diversos ferimentos e morreu ainda no local. Horas depois, a polícia encontrou o veículo abandonado e danificado, com entorpecentes e uma garrafa de uísque dentro.
Imagens de monitoramento mostram que o motorista não tentou prestar socorro e fugiu após abandonar o veículo, acompanhado de um segundo homem (veja abaixo). O passageiro – que não teve a identidade divulgada – prestou depoimento à Polícia Civil nesta sexta-feira (4), acompanhado pelo advogado Mário Badures.
O homem confirmou à polícia que havia consumido bebida alcoólica, assim como o motorista do veículo.
O que diz a defesa
Em nota à reportagem, Badures afirmou que “trata-se de um gravíssimo atropelamento, que vitimou um pai de família” e que seu cliente “compareceu em solo policial demonstrando disposição em colaborar ao máximo com as investigações”. Segundo o defensor, as circunstâncias presenciadas pelo passageiro foram “exaustivamente explicadas à Autoridade Policial”.
“É de se observar que a testemunha em nenhum momento teve conhecimento de que havia uma vítima fatal, declarando ter a dinâmica sido muito rápida e que o impacto do seu lado, sendo que em razão do estrondo, se assemelhava à colisão com outro automóvel ou algo do gênero. A ciência de que se tratava de um atropelamento com vítima fatal se deu posteriormente em razão das postagens em mídia social e cobertura da imprensa, questão essa que motivou o comparecimento e esclarecimento dos fatos em solo policial”,
disse o defensor.
Ao VTV News, o advogado também explicou que o passageiro não é tratado como suspeito pela Polícia Civil e que não há pedido de prisão preventiva contra ele, diferentemente do que ocorre com o motorista. “Grave fake news e que atrapalha, inclusive, a própria apuração […]. A responsabilidade penal é individual e não se confunde passageiro, ora testemunha, com o motorista, autor dos fatos”, complementou.
Por fim, a defesa do passageiro lamentou profundamente a morte da vítima. Já o advogado do motorista não foi localizado pela reportagem até o momento. O espaço permanece aberto para manifestação.
Fuga, abandono e identificação
O veículo saiu da Rua Onze de Junho, no bairro Boa Vista, onde ocorreu o atropelamento, e foi abandonado na Rua Campos Sales, a cerca de três quilômetros do local. Segundo o boletim de ocorrência (BO), o carro é uma Range Rover Evoque P300 HSE, de cor cinza. A Polícia Civil conseguiu identificar o motorista porque, junto ao veículo, foram encontrados um documento pessoal e um cartão de convênio médico em nome dele. Havia ainda parte da roupa da vítima presa ao carro. O motorista já havia sido preso por dirigir bêbado em 2024.
“Entendo que [o suspeito] agiu com o dolo eventual, que configura o crime de homicídio doloso. Não há chance de ser possível homicídio culposo porque a velocidade utilizada no momento do acidente é muito acima da permitida naquele local e ainda ele fugiu do local dos fatos para se furtar das responsabilidades de socorrer a vítima”,
disse o delegado Marcos Alfino.
A classificação do crime, no entanto, depende da avaliação da Justiça. O motorista continua desaparecido.

Quem era a vítima
André morava no bairro Parque Bitaru e estava a caminho do trabalho, em Santos, quando foi atingido pelo veículo e arremessado contra a fachada de um prédio. A vítima completaria 46 anos no dia 15 de setembro. Ele deixou uma filha de um ano, do atual relacionamento, e um filho adolescente, do primeiro casamento.
Segundo a Prefeitura de São Vicente, o coletor sofreu um grave traumatismo cranioencefálico. Equipes do Corpo de Bombeiros (Cobom) encontraram a vítima em parada cardiorrespiratória e realizaram os primeiros procedimentos de reanimação. O Samu também foi acionado, mas confirmou a morte às 4h47.




