O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello criticou a atuação de Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante entrevista ao programa Sala de Imprensa, do SBT News. Além disso, Mello afirmou que a Corte enfrenta uma crise e classificou o momento como um possível “suicídio do Supremo”.
Durante a entrevista, exibida neste fim de semana, o ex-ministro também disse estar arrependido de ter apoiado a indicação de Moraes para o STF, em 2017. Segundo ele, o atual ministro “perdeu a mão” na condução de sua atuação como magistrado.
Marco Aurélio critica atuação de Alexandre de Moraes
Marco Aurélio afirmou que Moraes vem cometendo erros e atribuiu a ele parte do desgaste enfrentado atualmente pelo Supremo. Para o ministro aposentado, as instituições precisam reagir diante da situação.
“Ele vem errando a mão, por isso vem sendo execrado pela população”, afirmou.
Além disso, Mello destacou que Moraes ocupa atualmente a vice-presidência do STF e, pela regra de alternância da Corte, deve assumir a presidência em 2027.
Ao comentar a possibilidade de Moraes chegar ao comando do tribunal, o ministro aposentado fez uma crítica irônica: “Moraes galgando a presidência, nós brasileiros não morreremos de tédio”.
Ex-ministro fala em “suicídio do Supremo”
Na avaliação de Marco Aurélio, o STF precisa ouvir mais a população diante do atual cenário de tensão entre integrantes da Corte. Por isso, ele retomou a expressão “sair à rua”, utilizada em outro momento de crise envolvendo ministros do tribunal.
“Não podemos continuar sob pena de suicídio do Supremo. O quadro atual é de desgaste absoluto”, declarou.
Mello também afirmou estar “estarrecido” e “atônito” com fatos relacionados à atuação da Suprema Corte. Segundo ele, o desgaste atinge diretamente a imagem da instituição.
“O desgaste é grande para a instituição. Todos estão lá de passagem”, disse.
Marco Aurélio questiona atuação de Paulo Gonet
O ministro aposentado também direcionou críticas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em relação a um procedimento citado durante a entrevista.
Mello questionou a atuação de Gonet porque, segundo sua avaliação, o relatório encaminhado pelo ministro André Mendonça ao Ministério Público Federal mencionaria o próprio procurador-geral.
Para o ex-ministro, Gonet não deveria atuar diretamente no caso. Nesse sentido, ele defendeu que outro procurador analise a situação.
Ex-ministro elogia atuação da Polícia Federal
Apesar das críticas ao STF e à Procuradoria-Geral da República, Marco Aurélio fez elogios à Polícia Federal. Segundo ele, até o momento, os integrantes da corporação mantêm uma atuação que considera adequada.
“Até aqui a Polícia Federal merece a minha admiração”, afirmou.
Além disso, Mello disse não considerar possível afirmar que André Mendonça tenha pressionado integrantes da PF. Para ele, qualquer eventual interferência precisaria de provas.
“Não posso presumir que tenha havido pressão. Isso não é o normal, é anormal. E o anormal tem que ser provado”, declarou.
Marco Aurélio diz que não procurou ministros
Questionado sobre uma possível ligação para Moraes ou Mendonça durante a crise, o ministro aposentado afirmou que não tomou essa iniciativa.
Mello também rejeitou a ideia de que integrantes do Supremo formem um grupo fechado. Segundo ele, a atuação dos ministros deve seguir critérios técnicos e jurídicos, sem expectativa de retorno ou solidariedade pessoal.
Ex-ministro voltou a atuar como advogado
Marco Aurélio Mello deixou o STF há cinco anos, após sua aposentadoria. Desde então, ele retomou o registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e passou a atuar na elaboração de pareceres jurídicos.




