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Câmara de Campinas vota nesta quarta cassação do vereador Vini Oliveira

Sessão começou às 9h e reúne manifestações favoráveis e contrárias ao parlamentar; são necessários 22 votos para perda do mandato
Vereador Vini Oliveira discursa em sessão da Câmara de Campinas, com microfone e bancada ao fundo, em contexto de cassação de Vini Oliveira em Campinas nesta quarta-feira.

A Câmara Municipal de Campinas realiza nesta quarta-feira (9) a sessão que definirá se o vereador Vini Oliveira (Cidadania) perderá o mandato por quebra de decoro parlamentar. O julgamento começou às 9h e analisa o parecer da Comissão Processante, que recomendou a cassação do vereador após concluir que ele ultrapassou os limites da fiscalização parlamentar em uma reunião com representantes da empresa Smile, durante o processo de concessão do transporte público municipal.

Sessão reúne apoiadores e críticos do vereador

A sessão de julgamento reúne manifestantes favoráveis e contrários à cassação de Vini Oliveira. O procedimento prevê a leitura das peças solicitadas pelos vereadores e pelo denunciado. Na sequência, os parlamentares que quiserem poderão fazer discursos de até 15 minutos.

Antes da votação, o próprio Vini Oliveira ou seu procurador terá até duas horas para apresentar a defesa oral. Somente depois dessa etapa os vereadores irão votar nominalmente o parecer da Comissão Processante.

A vereadora Mariana Conti (Psol), responsável pela denúncia que deu origem ao processo, não participará da votação. No lugar dela, será convocado o primeiro suplente, Paulo Bufalo.

São necessários 22 votos para cassação

Para que Vini Oliveira perca o mandato, o parecer precisa receber pelo menos dois terços dos votos dos 33 vereadores da Câmara. Isso significa que são necessários 22 votos favoráveis à cassação.

Caso o número mínimo não seja alcançado, o processo será arquivado.

Câmara de Campinas analisa regras para cães de grande porte e combate aos maus-tratos em frente ao prédio da Câmara Municipal de Campinas, com veículo e estacionamentos ao lado.
Foto: Câmara de Campinas.

Entenda o processo contra Vini Oliveira

A investigação na Câmara começou após a divulgação de imagens de uma reunião realizada em abril deste ano, na sede da Smile, em Paulínia. A empresa integra o consórcio vencedor de uma das etapas da concessão do transporte público de Campinas.

A Comissão Processante entendeu que o encontro ocorreu em um momento ainda sensível do processo licitatório e que o vereador teria utilizado a prerrogativa de fiscalização para obter informações e formular questionamentos ou denúncias contra empresas participantes da disputa.

No parecer, o relator Otto Alejandro (PL) reconheceu que a fiscalização está entre as atribuições dos vereadores, mas afirmou que essa prerrogativa possui limites. Na avaliação da comissão, a atuação de Vini teria se afastado da finalidade de defesa do interesse público e levantado questionamentos sobre a imparcialidade do parlamentar.

O parecer foi aprovado por unanimidade em 28 de agosto. Além de Otto Alejandro, a comissão foi formada por Paulo Haddad (PSD), presidente, e Dr. Yanko (PP).

Defesa contesta condução do processo

Os advogados de Vini Oliveira tentaram suspender a votação do parecer antes da sessão da Comissão Processante. A defesa argumentou que ainda havia diligências pendentes, incluindo respostas solicitadas ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Segundo os advogados, a ausência dessas informações teria prejudicado a análise completa das provas. O pedido foi rejeitado pela comissão, que entendeu que a resposta não era necessária para esclarecer os fatos discutidos no processo.

A defesa também questionou a validade das imagens utilizadas na apuração. Os advogados alegaram que o vídeo teria sido obtido de maneira clandestina e posteriormente manipulado. A Comissão Processante rejeitou os argumentos e afirmou não haver elementos no processo que comprovassem invasão de dispositivo para obtenção da gravação.

Um perito indicado pela defesa, Ricardo Molina, analisou o vídeo e apontou possíveis manipulações. Ele também afirmou não ter identificado cédulas de dinheiro nas imagens. Para a comissão, entretanto, a análise não afastaria o fato de Vini ter participado da reunião nem a existência dos malotes mostrados nas gravações.

O que pode acontecer nesta quarta-feira

A votação desta quarta é a etapa final do processo político-administrativo na Câmara. A decisão caberá aos vereadores em Plenário, após a manifestação da defesa.

Vini Oliveira foi eleito em 2024 com 11.423 votos e foi o segundo vereador mais votado de Campinas naquele pleito.

Até a publicação desta atualização, o material de origem não informava o resultado da votação. A definição do mandato dependerá do número de votos favoráveis à cassação durante a sessão.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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