Indaiatuba teve uma apreensão de 350 quilos de carnes vencidas e estragadas durante uma fiscalização da Polícia Civil na sexta-feira (11). A ação ocorreu após uma denúncia sobre irregularidades na venda de alimentos em um açougue do bairro Morada do Sol.
Polícia identifica irregularidades em Indaiatuba
A fiscalização encontrou produtos bovinos, suínos, de aves e miúdos fora do prazo de validade. Os agentes também identificaram práticas usadas para alterar as características dos alimentos antes da venda.
O delegado Marcel Fehr, titular da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas, explicou que a equipe encontrou carnes já deterioradas durante a vistoria.
“Durante essa fiscalização nós encontramos uma grande quantidade de carne vencida e outras carnes que já estavam aparentemente deterioradas impróprias pro consumo, assim como esse aditivo que é utilizado para maquiar a carne para mudar a aparência e o odor.”
A fala foi dada pelo delegado em entrevista à VTV News. Segundo a investigação, os policiais também recolheram celulares e documentos que podem ajudar a esclarecer a origem dos produtos.
Carne recebia nitrito de sódio
Os investigadores encontraram nitrito de sódio no estabelecimento. Segundo a polícia, a substância era aplicada nas carnes deterioradas para modificar a aparência e reduzir o odor antes da comercialização.
O nitrito de sódio possui usos autorizados em determinados produtos cárneos. A Anvisa estabelece que aditivos alimentares só podem ser utilizados nas categorias permitidas, dentro dos limites e condições previstos nas normas.
A agência também informa que nitratos e nitritos são utilizados em produtos cárneos com funções específicas. Entre elas estão a conservação e o controle de microrganismos.
No caso investigado em Indaiatuba, porém, a polícia aponta que a substância teria sido usada para alterar características de alimentos que já estavam impróprios para consumo.
Coração suíno era usado na carne moída
Outra irregularidade envolveu corações de suínos. Conforme a investigação, o estabelecimento utilizava as vísceras na produção de carne moída e hambúrgueres apresentados como produtos bovinos.
O delegado Marcel explicou que existe diferença entre vender a víscera e utilizá-la para fabricar carne moída.
“O coração de suíno ele pode ser comercializado, mas como víscera. A confecção de carne moída ou de hambúrguer ela só pode ser feita com carne esquelética e muscular.”
A regra do Ministério da Agricultura determina que a carne moída seja produzida com massas musculares esqueléticas da espécie informada. A norma também proíbe a obtenção do produto a partir da moagem de miúdos.
Vigilância Sanitária inutiliza produtos
A Vigilância Sanitária de Indaiatuba autuou o estabelecimento e acompanhou a retirada dos alimentos. Os 350 quilos apreendidos foram inutilizados.
A perícia técnica também foi acionada para analisar os produtos químicos encontrados no local. O material poderá ajudar a investigação a esclarecer como as substâncias eram utilizadas.
A Polícia Civil ainda apura a origem das carnes e o destino dos produtos comercializados. O delegado afirmou que os investigadores querem verificar se o material era vendido somente no balcão ou também chegava a outros estabelecimentos.
O gerente e o subgerente foram presos em flagrante. Um açougueiro encontrado no local também era procurado pela Justiça e tinha antecedentes por roubo e envolvimento em processo por receptação.
A investigação continua em Indaiatuba para identificar outros envolvidos e possíveis compradores dos produtos.




