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Caso Maria Eduarda: Justiça retoma audiência sobre morte em rope jump

Segunda etapa da audiência de instrução acontece nesta quarta-feira (23), em Limeira; quatro testemunhas de acusação foram ouvidas na primeira sessão
audiência Maria Eduarda: A esquerda, cena ao ar livre com duas pessoas fazendo rope jump a partir de uma plataforma no alto, com mata e campo ao fundo; à direita, retrato de Maria Eduarda.

A Justiça realiza nesta quarta-feira (23), a partir das 9h, a segunda etapa da audiência de instrução do processo que apura a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos. A jovem morreu após cair sem as cordas de segurança durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis, em 13 de junho deste ano.

A primeira etapa da audiência ocorreu na quinta-feira (17), quando quatro testemunhas de acusação prestaram depoimento. Agora, a Justiça deve ouvir outras testemunhas para esclarecer as circunstâncias da atividade e a participação dos envolvidos.

Réus estão presos preventivamente

O processo tem quatro réus: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra, Vitor de Freitas Gonçalves e Evelyne dos Santos Gonçalves. Todos estão presos preventivamente.

Segundo a acusação, os três homens participaram diretamente da preparação e da execução do salto. Já Evelyne aparece no processo como organizadora da atividade.

Os quatro respondem por homicídio com dolo eventual qualificado. Além disso, Evelyne também responde por fraude processual.

Após o depoimento das testemunhas, a Justiça deverá interrogar os réus. No entanto, ainda não há confirmação de que essa etapa ocorrerá nesta quarta-feira.

O que diz o Ministério Público

De acordo com a denúncia do Ministério Público, os responsáveis pelo salto conheciam os riscos da atividade. Mesmo assim, segundo a acusação, eles deixaram de adotar medidas de segurança consideradas necessárias.

Entre essas medidas, o MP cita a conferência da conexão da corda de segurança e a dupla checagem dos equipamentos antes do salto.

Além disso, a denúncia afirma que o grupo não definia claramente as funções de cada integrante. O Ministério Público também aponta que os envolvidos exploravam comercialmente a atividade sem cumprir as exigências legais aplicáveis.

Ainda segundo a acusação, o grupo priorizava interesses econômicos e a divulgação dos saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes.

Relembre o caso:

Acusações

Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves respondem por homicídio com dolo eventual, com qualificadoras relacionadas a motivo torpe e recurso que teria impossibilitado a defesa da vítima.

Por outro lado, Evelyne dos Santos Gonçalves responde por homicídio com dolo eventual por omissão imprópria e também por fraude processual.

Na denúncia, o Ministério Público explica que o dolo eventual ocorre quando a pessoa não pretende diretamente provocar a morte, mas conhece a possibilidade do resultado e, mesmo assim, assume o risco de que ele aconteça.

O que aconteceu

Maria Eduarda morreu após cair de uma altura de aproximadamente 40 metros durante um salto de rope jump. Segundo a investigação, ela não estava conectada às cordas de segurança no momento do lançamento.

Após a queda, equipes de socorro atenderam a jovem. Entretanto, ela não resistiu aos ferimentos.

O rope jump utiliza cordas estáticas, sem elasticidade. Durante a atividade, o participante cai e, depois, realiza um movimento de balanço semelhante ao de um pêndulo.

Já o bungee jump utiliza uma corda elástica, que permite movimentos de queda e retorno. Portanto, apesar de ambas as modalidades envolverem saltos de altura, elas utilizam equipamentos e dinâmicas diferentes.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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