O congelamento de óvulos tem ganhado espaço entre brasileiras que desejam preservar a fertilidade para uma possível gravidez no futuro. Entre as mulheres com menos de 35 anos, a procura pelo procedimento quase triplicou em cinco anos.
Dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mostram que o número de ciclos nessa faixa etária passou de 2.193, em 2020, para 6.142, em 2025. A alta foi de 180,1%.
Considerando todas as idades, o crescimento também foi expressivo. O Brasil passou de 7.872 ciclos de coleta para criopreservação em 2020 para 18.631 em 2025, avanço de 136,7%.
A maior procura ocorre em um cenário no qual mulheres buscam planejar a maternidade levando em consideração fatores pessoais, profissionais e de saúde. O tema também ganhou visibilidade com relatos de personalidades que passaram pelo procedimento.
A jornalista Maju Coutinho, por exemplo, revelou anteriormente que congelou óvulos. Aos 48 anos, ela anunciou em agosto que espera o primeiro filho. A apresentadora, no entanto, não informou se utilizou os óvulos congelados para engravidar.
O que é congelamento de óvulos?
O congelamento de óvulos é uma técnica de preservação da fertilidade que permite coletar e armazenar células reprodutivas femininas para uma possível utilização no futuro.
Os óvulos preservam as características da idade que a mulher tinha no momento da coleta. Por isso, o momento escolhido para realizar o procedimento pode influenciar as possibilidades futuras de reprodução assistida.
Segundo o Dr. Oscar Duarte, especialista em reprodução humana e diretor médico do Fertgroup, a idade em que o procedimento é realizado tem impacto nas possibilidades futuras.
“É um bom sinal, pois o momento no qual uma mulher congela seus óvulos importa muito para as chances de ter um bebê no futuro”, afirma.
Apesar do crescimento entre as mais jovens, mulheres acima dos 35 anos ainda representavam aproximadamente dois terços dos procedimentos realizados em 2025, segundo o especialista.
“Isso indica que a maior demanda segue concentrada entre aquelas que já ultrapassaram a fase de maior fertilidade biológica”, explica Duarte.
O congelamento, porém, não representa garantia de uma gravidez futura. O resultado depende de diferentes fatores, como idade no momento da coleta, quantidade e qualidade dos óvulos obtidos e etapas posteriores da reprodução assistida.
Como funciona o congelamento de óvulos?
O processo de congelamento de óvulos envolve avaliação médica, estimulação dos ovários, acompanhamento do desenvolvimento dos folículos, coleta e armazenamento das células.
“Um ciclo de congelamento inclui todas as etapas do procedimento, desde o uso de medicamentos hormonais para estimular a produção de óvulos até a coleta e a criopreservação destas células”, explica Duarte.
O procedimento costuma seguir cinco etapas:
- Avaliação inicial: exames de sangue e ultrassonografia ajudam o médico a avaliar a reserva ovariana e planejar o tratamento.
- Estimulação ovariana: a paciente utiliza medicamentos hormonais, geralmente por cerca de 10 a 12 dias, para estimular o amadurecimento de vários óvulos.
- Monitoramento: ultrassonografias acompanham o crescimento dos folículos e permitem ajustar as doses dos medicamentos conforme a resposta do organismo.
- Coleta dos óvulos: as células são retiradas dos folículos por meio de um procedimento minimamente invasivo, realizado com sedação e auxílio de ultrassom.
- Congelamento: os óvulos considerados adequados são armazenados por vitrificação, técnica de congelamento ultrarrápido usada para preservar as células.
“Os óvulos selecionados passam por vitrificação, uma técnica de congelamento ultra-rápido que evita a formação de cristais de gelo que poderiam danificar a célula”, afirma Duarte.
Após a coleta, a paciente geralmente recebe alta no mesmo dia. Caso decida tentar uma gravidez futuramente com os óvulos armazenados, será necessário recorrer a técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro.
Por envolver medicamentos hormonais, sedação e um procedimento para coleta das células, a indicação deve ser individualizada e acompanhada por uma equipe médica especializada.
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