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Eleições 2026: veja como não cair em golpes e conteúdos falsos com IA

Vídeos manipulados, clonagem de voz, falsos pedidos de Pix e pesquisas irregulares exigem atenção dos eleitores
IA nas eleições 2026: mulher em ambiente doméstico usando celular, ilustrando como evitar golpes e conteúdos falsos com IA durante a campanha política.

A IA nas eleições exige atenção redobrada dos eleitores em 2026. Vídeos manipulados, clonagem de voz, páginas falsas e golpes usando a imagem de candidatos podem dificultar a identificação de conteúdos verdadeiros nas redes sociais.

O uso da tecnologia nas campanhas já preocupa parte do eleitorado. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em agosto mostrou que 73% dos entrevistados desaprovam o uso de inteligência artificial por candidatos durante a campanha eleitoral.

Em entrevista à VTV News, o especialista em riscos cibernéticos e credibilidade digital Luiz Milagres explicou quais sinais podem indicar uma manipulação e o que fazer antes de compartilhar uma informação.

IA nas eleições: como identificar um conteúdo manipulado?

Alterações no rosto, movimentos pouco naturais e problemas em mãos e dentes podem levantar suspeitas em imagens e vídeos produzidos com inteligência artificial.

Nos áudios, pausas e padrões pouco naturais na voz também podem servir como sinais de alerta. No entanto, Milagres chama atenção para outro elemento: a reação provocada pelo conteúdo.

“Mas o principal sinal nem sempre é visual. Se o vídeo lhe causa uma revolta enorme ou um susto muito grande logo de primeira, pare e desconfie. O conteúdo falso é feito exatamente para mexer com a sua emoção e fazer com que compartilhe sem pensar”, explica.

A presença ou ausência desses sinais, porém, não permite determinar sozinha se um material foi criado por IA. Com o avanço das ferramentas, conteúdos sintéticos podem apresentar aparência cada vez mais realista.

Recebeu uma informação pelo WhatsApp? Verifique antes de enviar

Mensagens encaminhadas por amigos ou familiares também precisam passar por verificação. A confiança em quem enviou o conteúdo não garante que a informação original seja verdadeira.

“A mentira se espalha com facilidade no WhatsApp porque geralmente chega através de um amigo ou familiar em quem você confia. Mas lembre-se de que essa pessoa também pode ter sido enganada”, afirma Milagres.

Antes de compartilhar, uma das alternativas é pesquisar se a mesma informação aparece em veículos jornalísticos ou fontes oficiais relacionadas ao assunto.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também mantém canais para a consulta de informações sobre o processo eleitoral, além da página Fato ou Boato, que reúne conteúdos verificados sobre as eleições.

Vídeo de candidato pedindo Pix pode ser golpe

Outro risco está no uso da imagem ou da voz de figuras públicas para solicitar dinheiro. Ferramentas de IA conseguem reproduzir características de uma pessoa e criar vídeos ou áudios falsos.

Por isso, um pedido inesperado de transferência financeira deve ser tratado com cautela.

“Se por acaso alguém receber algo desse teor, feche a mensagem, não pague nada e denuncie a conta”, orienta o especialista.

A recomendação é não realizar pagamentos com base apenas em vídeos, áudios ou mensagens recebidas pelas redes sociais.

Sites falsos podem copiar até a aparência de veículos conhecidos

A identidade visual de veículos de comunicação também pode ser reproduzida para fazer uma página falsa parecer verdadeira. Cores, logotipos e formatos semelhantes não garantem que o conteúdo tenha sido publicado pelo veículo apresentado na tela.

Segundo Milagres, o endereço eletrônico merece atenção.

“É um golpe clássico e para não cair nessa, a dica é olhe sempre para o endereço do site na internet, veja se o nome do jornal está escrito com letras trocadas ou com finais que pareçam ‘estranhos’”, explica.

O eleitor pode procurar diretamente o site ou perfil oficial da fonte citada, em vez de acessar apenas o endereço recebido por mensagem.

Como saber se uma pesquisa eleitoral está registrada?

Pesquisas eleitorais destinadas ao conhecimento público precisam seguir regras da Justiça Eleitoral. Em 2026, empresas e entidades responsáveis devem registrar cada levantamento no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) até cinco dias antes da divulgação.

O sistema do TSE permite pesquisar levantamentos registrados e consultar informações como empresa responsável, contratante, período de realização, metodologia e número de identificação.

Milagres alerta principalmente para imagens e publicações que apresentam números de intenção de voto sem informar a origem do levantamento.

“No caso das pesquisas eleitorais, a lei exige que toda a pesquisa verdadeira tenha um número de registo oficial do TSE. Se esse número não estiver lá bem visível, a pesquisa pode ser falsa”, afirma.

A ausência da informação em uma publicação é motivo para buscar a pesquisa diretamente no PesqEle antes de considerar aqueles números como provenientes de um levantamento registrado.

Emoção pode aumentar o risco de compartilhar uma informação falsa

Para Milagres, um dos principais erros acontece quando o conteúdo confirma uma opinião que a pessoa já possui.

“O erro mais comum é passar à frente aquilo em que queremos acreditar. Quando vemos algo que fala mal do candidato de quem não gostamos ou bem do nosso favorito, temos a tendência de compartilhar imediatamente sem checar”, afirma.

Por isso, a principal orientação é simples: diante de uma informação duvidosa, não encaminhar imediatamente.

“O cuidado mais simples de todos é ‘segurar o dedo’. Na dúvida, não compartilhe. A tecnologia facilitou a criação de mentiras, mas a melhor defesa continua a ser o nosso cuidado antes de apertar o botão.”

As Eleições Gerais de 2026 terão o primeiro turno em 4 de outubro. O TSE atualizou neste ano as regras sobre inteligência artificial na propaganda eleitoral e mantém a proibição de deepfakes utilizados em propaganda para favorecer ou prejudicar candidaturas.


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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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