Grêmio, Flamengo e Fluminense se posicionaram publicamente contra a decisão do governo federal de anunciar o fim da operação de casas de apostas no Brasil.
A medida, publicada nesta sexta-feira (25), provocou forte reação de clubes de futebol que mantêm contratos comerciais com essas empresas.
A norma prevê a proibição das atividades das plataformas de apostas no país, atingindo diretamente os acordos de patrocínio vigentes. O acesso aos sites permanecerá ativo até o fim do dia 5 de outubro, exclusivamente para que os apostadores efetuem o saque dos saldos antes do desligamento total dos serviços.
Posicionamento dos clubes
Grêmio aguarda desdobramentos de contrato recente
No caso do Grêmio, o anúncio ocorreu apenas dois dias após o clube confirmar a Pitaco como sua nova patrocinadora máster — em um contrato de três anos, avaliado em R$ 140 milhões no total. Agora, o time espera novos desdobramentos da medida para que ocorra uma decisão oficial.
O PITACO É O NOSSO NOVO PATROCINADOR MÁSTER 🇪🇪 Uma marca nascida no Brasil, parte de um importante grupo multinacional, com mais de 7 anos de atuação. O Pitaco mantém tecnologia própria como parte do negócio, o que traz segurança e a integridade necessária para a aplicação da… pic.twitter.com/Z84VXGcG5c
— Grêmio FBPA (@Gremio) September 23, 2026
Flamengo defende mercado regulado
Por meio da rede social X (antigo Twitter), o Flamengo defendeu a manutenção do mercado regulado de apostas e ressaltou que a alteração do modelo atual trará consequências negativas para o esporte brasileiro e para a economia do país.
“Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório. Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la”, destaca um trecho do comunicado oficial.
A diretoria rubro-negra enfatizou ainda que o enfraquecimento do mercado legal de apostas resultará na redução de investimentos no esporte e na queda da arrecadação de impostos pelo Estado.
O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
— Flamengo (@Flamengo) September 25, 2026
Não se… pic.twitter.com/RxK2nBe6S7
Fluminense cobra período de transição
O Fluminense, por sua vez, reconheceu que o debate sobre a proibição é legítimo e que há preocupações reais sobre a dependência em jogos. No entanto, o clube ponderou que as entidades que firmaram contratos vigentes não podem “ser surpreendidas de um dia para o outro”.
O Tricolor ressaltou ter assumido compromissos financeiros de longo prazo e citou um impacto prático imediato: a loja oficial do clube conta com seis meses de estoque de camisas já estampadas com a marca do patrocinador máster.
Diante desse cenário, a diretoria defende a criação de um período de transição para evitar prejuízos severos ao setor.
O debate sobre a proibição das apostas é legítimo e não deve ser interditado. Há preocupações reais com endividamento e vício, mas qualquer decisão precisa considerar os seguintes pontos:
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) September 25, 2026
• Segurança jurídica e previsibilidade: empresas que cumpriram a regulamentação e… pic.twitter.com/HPsgSaciAC




