A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) arquivou a sindicância que apurava a conduta do ex-diretor financeiro e administrativo Ricardo Ferraro Geciauskas. A empresa iniciou a investigação após imagens mostrarem o então dirigente em uma visita à Smile Transportes, em Paulínia.
A Smile estava entre as empresas envolvidas na licitação para a concessão do transporte coletivo de Campinas. Além disso, imagens também mostraram o então vereador Vini Oliveira em uma reunião com representantes da mesma empresa.
Segundo a Emdec, a comissão responsável pela sindicância não encontrou indícios de que Geciauskas tivesse participado de qualquer etapa do processo licitatório. Mesmo assim, a empresa decidiu não reconduzir o ex-diretor ao cargo de confiança que ocupava.
Sindicância analisou imagens na empresa Smile
A Emdec abriu a sindicância em junho, depois que imagens mostraram Geciauskas em uma visita à garagem da Smile Transportes, em Paulínia.
Para analisar o caso, a empresa municipal formou uma comissão com funcionários de carreira. Durante a apuração, os integrantes também ouviram o ex-diretor.
Em setembro, a comissão concluiu o procedimento. Segundo a Emdec, a análise das informações não encontrou indícios de participação de Geciauskas em qualquer etapa do processo de concessão do transporte público.
A presidência da Emdec tomou conhecimento da conclusão no dia 10 de setembro.
Apesar do arquivamento, a empresa decidiu não devolver ao ex-diretor o cargo de confiança que ele ocupava.
Vini Oliveira também esteve na Smile
O caso ganhou outro desdobramento porque Vini Oliveira também apareceu em imagens relacionadas à Smile Transportes durante o processo de licitação.
Na época, Vini ocupava uma cadeira na Câmara Municipal de Campinas. Em 9 de setembro, porém, os vereadores cassaram o mandato dele por quebra de decoro parlamentar.
A Comissão Processante concluiu que Vini ultrapassou os limites da atuação fiscalizatória ao se reunir com representantes da empresa enquanto a licitação do transporte público ainda estava em andamento.
A Câmara aprovou a cassação por 23 votos favoráveis. Por outro lado, a defesa de Vini contestou a decisão e afirmou que a reunião fazia parte da atividade de fiscalização do mandato.
Além disso, os advogados questionaram o uso das imagens no processo. Segundo a defesa, o material apresentava cortes e havia sido obtido de forma irregular.
Relembre o caso:
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VTV acompanhou os desdobramentos do caso
O VTV News acompanhou os desdobramentos envolvendo Vini Oliveira e a licitação do transporte público de Campinas.
Depois da cassação, o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu parcialmente os efeitos da decisão e permitiu que Vini continuasse na disputa pelo cargo de deputado estadual.
A decisão, no entanto, não devolveu o mandato de vereador. Assim, Vini permanece cassado, mas pode participar das eleições.
Além disso, a relatora Tania Ahualli suspendeu provisoriamente a aplicação da inelegibilidade de oito anos prevista na Lei da Ficha Limpa. Caso Vini seja eleito, uma eventual contestação poderá voltar à análise da Justiça, inclusive durante a fase de diplomação.
Carro usado pela equipe de Vini foi atingido por tiros
Outro episódio envolvendo Vini Oliveira ocorreu em 27 de setembro. Na ocasião, disparos atingiram o carro usado pela equipe de campanha dele no bairro Recanto do Sol 1, em Campinas.
O veículo estava estacionado e vazio quando os tiros aconteceram. Enquanto isso, Vini estava em uma pastelaria próxima, a aproximadamente 50 metros do carro, acompanhado de um assessor. Ninguém ficou ferido.
Na ocasião, o VTV acompanhou o caso e informou que a Polícia Militar isolou o local para a realização da perícia. Até aquele momento, os policiais não haviam localizado nenhum suspeito.
A ocorrência chegou à 2ª Seccional de Campinas, que passou a investigar o caso por meio da Polícia Civil.
Até as informações disponíveis para esta reportagem, não havia confirmação de que os disparos tivessem relação com a licitação do transporte público, com a cassação do mandato ou com as imagens que deram origem às apurações envolvendo a Smile.
Licitação do transporte público foi anulada
Os episódios envolvendo a Smile ocorreram durante o processo de concessão do transporte coletivo de Campinas.
Em agosto, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) anulou o leilão da concessão. Entre os pontos analisados pelo tribunal estavam questões relacionadas às regras econômicas do edital, ao acesso das empresas aos documentos e à análise das propostas.
Depois da anulação, a Prefeitura de Campinas informou que pretende publicar um novo edital para a concessão do transporte coletivo.
Enquanto isso, a sindicância da Emdec analisou especificamente a conduta de Ricardo Ferraro Geciauskas. Ao final, a comissão arquivou o procedimento porque não encontrou indícios de participação dele no processo licitatório.
Entenda o que foi arquivado
O arquivamento da sindicância não encerra os demais desdobramentos relacionados à licitação do transporte público ou aos processos envolvendo Vini Oliveira.
A comissão da Emdec analisou especificamente a atuação do ex-diretor e concluiu que não encontrou indícios de participação dele em qualquer etapa do certame.
Por outro lado, a Câmara Municipal conduziu o processo que terminou com a cassação de Vini. Já a Polícia Civil investiga os disparos contra o carro usado pela equipe de campanha.
Portanto, as três apurações têm objetos diferentes, embora estejam relacionadas ao mesmo contexto da licitação e à empresa Smile Transportes.




