A morte do influenciador e especialista em aviação Lito Sousa, aos 59 anos, anunciada ontem (1º), provocou uma onda de homenagens nas redes sociais. Ao longo dos anos, ele reuniu milhões de seguidores interessados em seus conteúdos sobre aviação, que também passaram a acompanhar parte de sua trajetória durante o enfrentamento da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
A repercussão da morte ficou evidente nas redes sociais, com muitos comentários de pesar e relatos de sentimentos compartilhados pelos seguidores. As homenagens também foram vistas no velório, que foi aberto ao público. A comoção diante da perda ajuda a mostrar como as redes sociais aproximaram pessoas que não fazem parte do mesmo círculo de convivência, tornando suas presenças familiares mesmo à distância.
Essa proximidade construída ao longo do tempo pode fazer com que um vínculo seja estabelecido, mesmo sem convivência presencial. Para quem acompanha uma pessoa por anos, sua voz, seus pensamentos e seus conteúdos podem passar a fazer parte da rotina e ocupar um espaço significativo na vida.
“O vínculo não depende necessariamente da convivência física para existir. Quando acompanhamos alguém durante anos, ouvimos sua voz, conhecemos seus pensamentos, esperamos pelos seus conteúdos e incorporamos aquela presença à nossa rotina, aquela pessoa passa a ocupar um espaço na nossa vida. A morte interrompe essa presença e pode provocar uma reação genuína de perda“, explica Wlliane Flores Moreira, psicóloga especialista em luto.
Construção de vínculos
Segundo a especialista, a reação diante da morte também pode estar relacionada a sentimentos e experiências que vão além da perda daquela pessoa. A notícia pode despertar lembranças de outras perdas, medos ou emoções que já faziam parte da história de quem a acompanhava. Dessa forma, o luto pode trazer à tona sentimentos que não estão ligados apenas àquela morte.
“Às vezes, a morte de alguém que acompanhávamos pelas redes toca em uma perda que já vivemos ou em um medo que carregamos. Aquela pessoa pode ser o ponto de contato com sentimentos que já estavam dentro de nós”, explica a psicóloga.
Por isso, a intensidade do sofrimento não depende necessariamente do grau de intimidade ou da existência de uma convivência presencial. O significado que aquela pessoa tinha na vida de quem a acompanhava também pode influenciar a forma como a perda é sentida. Assim, não há uma medida objetiva que determine se alguém deveria ou não sofrer pela morte de uma pessoa que nunca conheceu pessoalmente.
Lito Sousa
O diagnóstico de Lito para a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) foi anunciado publicamente em 21 de agosto. Entre a divulgação da doença e a morte do influenciador, transcorreram 41 dias.
Durante esse período, em setembro, Lito recebeu autorização excepcional da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para utilizar um medicamento experimental contra a doença. A substância ALN-6457 havia sido testada anteriormente apenas em animais, e o especialista foi a primeira pessoa a receber o tratamento.
A morte foi comunicada pela esposa, Mila Seidl, em um vídeo publicado em sua conta no Instagram, no qual prestou uma homenagem ao marido. Na legenda da publicação, escreveu: “Um grande abraço e até o próximo voo”.





