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Fim da escala 6×1 pode reduzir jornada até de quem trabalha de segunda a sexta

PEC aprovada pelo Senado prevê jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e proibição de redução salarial
Calendário, relógio e Carteira de Trabalho representam a proposta de fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil.

O fim da escala 6×1 pode beneficiar não apenas trabalhadores que atuam seis dias por semana, mas também quem trabalha de segunda a sexta-feira. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14) prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.

A mudança não será imediata. Segundo o texto aprovado, a primeira etapa começará 60 dias após a promulgação da emenda, quando o limite semanal passará de 44 para 42 horas. A redução para 40 horas semanais ocorrerá na etapa seguinte, conforme o período de transição previsto na proposta.

A PEC recebeu 75 votos favoráveis e um contrário em cada um dos dois turnos de votação. Agora, o texto seguirá para promulgação pelo Congresso Nacional, etapa necessária para formalizar a mudança na Constituição Federal, sem necessidade de sanção presidencial.

Quem trabalha de segunda a sexta também pode ser beneficiado?

A redução da jornada de trabalho também poderá beneficiar profissionais que já cumprem a escala 5×2, com expediente de segunda a sexta-feira e folgas aos sábados e domingos. O impacto dependerá da carga horária atual de cada trabalhador.

Segundo o advogado trabalhista Lucas Aguiar, a legislação permite atualmente uma jornada de até 44 horas semanais, distribuídas entre os dias úteis ou incluindo o sábado.

Na prática, alguns trabalhadores cumprem jornadas de oito horas e 48 minutos de segunda a sexta-feira para completar as 44 horas semanais. Com o limite de 40 horas, esses profissionais poderão passar a trabalhar oito horas por dia, sem redução salarial, quando a transição estiver concluída.

A mudança, portanto, não se restringe a quem trabalha seis dias consecutivos. A redução da jornada semanal também pode diminuir o tempo de trabalho de quem já tem dois dias de folga, dependendo da organização atual do expediente.

Como ficará a jornada de trabalho com o fim da escala 6×1?

A proposta estabelece uma redução gradual da jornada de trabalho. O objetivo é ampliar o descanso sem diminuir os salários.

Veja os principais pontos previstos no texto aprovado:

Ponto Analisado Detalhamento das Regras
Jornada máxima Redução de 44 para 40 horas semanais, em etapas.
Primeira fase Limite de 42 horas semanais, a partir de 60 dias após a promulgação.
Descanso semanal Garantia de dois dias de repouso remunerado por semana.
Salários Proibição de redução salarial em razão da mudança.
Organização das escalas Possibilidade de compensação de jornada por meio de normas coletivas, respeitadas as garantias de descanso.
Implementação total Quando o limite de 40 horas semanais estiver plenamente implementado, uma jornada distribuída igualmente em cinco dias corresponderá a oito horas diárias.

No entanto, isso não significa que todos os trabalhadores terão necessariamente os mesmos horários. A distribuição da jornada dependerá das características de cada atividade profissional e das regras aplicáveis à categoria.

Como serão as folgas com a nova regra?

A PEC também prevê regras para garantir o descanso semanal remunerado. De acordo com Lucas Aguiar, a organização dos horários poderá considerar as particularidades de diferentes setores, desde que respeite as garantias estabelecidas.

O texto prevê uma média de dois dias de repouso por semana, com pelo menos um dia de descanso a cada período de sete dias.

A possibilidade de compensação de jornada por meio de normas coletivas permitirá ajustar os horários às necessidades de cada atividade. Ao mesmo tempo, as regras deverão impedir que a distribuição do expediente comprometa o direito ao descanso.

Por isso, o fim da escala 6×1 não significa que todos os profissionais passarão a trabalhar de segunda a sexta-feira. A aplicação das novas regras dependerá da escala utilizada, da carga horária e dos acordos coletivos permitidos.

Redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida

Para o advogado trabalhista Lucas Aguiar, a diminuição da jornada máxima pode ampliar o tempo disponível para atividades pessoais, convivência familiar, estudos e cuidados com a saúde.

O especialista também aponta que o tempo livre adicional pode ajudar os trabalhadores a organizar melhor a rotina e reduzir o desgaste provocado por longos períodos de trabalho.

“Vejo como muito positiva para o trabalhador essa redução de jornada. Ela representa um ganho real para o trabalhador”, afirma.

Apesar dos possíveis benefícios, a mudança também exigirá adaptações das empresas. Os empregadores precisarão reorganizar escalas de trabalho, horários e processos para cumprir os novos limites.

O impacto será diferente em cada setor, conforme as necessidades de funcionamento dos serviços, a carga horária atual dos profissionais e as regras coletivas aplicáveis.

A implementação do fim da escala 6×1 dependerá da promulgação da emenda e do cumprimento das etapas de transição previstas no texto aprovado pelo Senado.

Família reunida no sofá de casa em momento de lazer, representando a importância do tempo livre e da convivência familiar com a redução da jornada de trabalho.


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Autor

  • Beatriz Biaggioni

    Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Comunicativa e curiosa, gosto de ouvir histórias, aprender com as pessoas e transformar isso em comunicação com sentido. Em constante crescimento, com olhar atento e vontade de fazer bem feito.

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