O médico Claudio Lottenberg, citado por Flávio Bolsonaro (PL) como escolhido para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo, voltou ao centro do debate sobre o futuro do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante o debate presidencial da Band, no domingo (18), o senador defendeu levar ao sistema público o modelo de atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein e propôs mudanças na integração de dados e no acesso aos serviços de saúde.
Quem é Claudio Lottenberg?
Claudio Lottenberg é médico oftalmologista e tem trajetória ligada à gestão de instituições de saúde. Ele preside o conselho do Hospital Israelita Albert Einstein e da Confederação Israelita do Brasil (Conib), além de apresentar um programa na Jovem Pan News.
Em 2005, Lottenberg ocupou o cargo de secretário municipal da Saúde de São Paulo, durante a gestão do então prefeito José Serra. Sua experiência na administração pública e na direção hospitalar o colocou entre os nomes considerados para assumir o Ministério da Saúde em diferentes momentos.
Em setembro de 2026, o Einstein anunciou seu afastamento temporário das atribuições de governança da instituição até o encerramento do período eleitoral. A decisão ocorreu após sua indicação para um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Lottenberg já foi cotado para o Ministério da Saúde
A relação do médico com o entorno de Jair Bolsonaro começou antes da atual disputa eleitoral. Em abril de 2020, durante a pandemia de Covid-19, Lottenberg apareceu entre os nomes avaliados para substituir Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde.
Na época, sua filiação ao Democratas, partido que posteriormente deu origem ao União Brasil, e sua ligação com o então governador paulista João Doria, adversário político de Bolsonaro, teriam pesado contra a escolha.
Apesar disso, Lottenberg se reuniu com Jair Bolsonaro em um jantar no início de 2021. Na ocasião, descreveu o ex-presidente como “simpático, absolutamente predisposto a entender e escutar minhas opiniões sobre o momento atual”.
O médico também elogiou a escolha do cardiologista Marcelo Queiroga para comandar a pasta.
Médico criticou a condução da pandemia por Bolsonaro
Apesar da proximidade com o ex-presidente, Lottenberg defendeu medidas de prevenção à Covid-19, como uso de máscaras, isolamento social e vacinação. Essas posições entraram em conflito com declarações e atitudes de Bolsonaro durante a crise sanitária.
Em entrevista ao jornal O Globo, publicada em março de 2021, o médico criticou a falta de coordenação nacional no combate à pandemia.
“Se houve um ente que não criou um clima inspiracional, foi o governo federal”, afirmou na ocasião.
Lottenberg também cobrou orientações uniformes para a população e criticou a falta de exemplos das autoridades no cumprimento das medidas de prevenção.
Mais recentemente, ao comentar o negacionismo durante o governo Bolsonaro, o médico afirmou que preferia tratar o episódio como um capítulo superado e concentrar os esforços no futuro. Também declarou que não abandonaria seus princípios nem as evidências científicas caso assumisse o Ministério da Saúde.
O que Flávio Bolsonaro propõe para o SUS?
Durante o debate da Band, Flávio Bolsonaro anunciou Lottenberg como sua escolha para o Ministério da Saúde e defendeu mudanças na organização do atendimento público.
“Eu quero colocar padrão Einstein no SUS”, afirmou o senador.
Entre as propostas apresentadas, estão a criação de um prontuário eletrônico único, integrado às redes municipal, estadual, federal e privada, além do uso de inteligência artificial e telemedicina para agilizar consultas e direcionar pacientes às unidades de saúde.
A discussão também abordou as filas para consultas, exames e cirurgias, além do financiamento do SUS.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou a proposta e perguntou se o adversário pretendia privatizar o SUS. Lula também contestou a experiência de Flávio Bolsonaro na área da saúde pública e defendeu a importância do sistema.
Até o momento, as propostas mencionadas no debate não permitem concluir, por si só, que o plano prevê a privatização integral do SUS.
Indicação levanta debate sobre o futuro do SUS
A escolha de Lottenberg reacendeu a discussão sobre a participação de instituições privadas na organização dos serviços públicos de saúde. A proposta de adotar referências de gestão do Einstein no SUS, porém, não esclarece sozinha como funcionaria uma eventual mudança no modelo de atendimento.
Outro ponto de debate envolve o financiamento federal da saúde. Informações apresentadas no contexto do plano econômico associado à candidatura de Flávio Bolsonaro mencionam a possibilidade de desvincular recursos da saúde do orçamento federal.
Uma eventual mudança nesse sentido exigiria detalhes sobre as regras orçamentárias, os mecanismos de financiamento e os impactos sobre os serviços públicos. Sem informações completas sobre a proposta, não é possível afirmar quais seriam seus efeitos sobre o volume de recursos destinados ao SUS.
Lottenberg também participou de encontros com lideranças políticas
Em 2024, o médico participou de um jantar no Clube Hebraica com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o então governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
Também estiveram presentes o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e a ex-deputada federal Carla Zambelli.
Durante o encontro, Lottenberg afirmou que “o futuro presidente do Brasil está nessa sala”. A declaração ocorreu antes da atual disputa presidencial e reuniu lideranças de diferentes grupos políticos de oposição ao governo federal.
A trajetória do médico combina atuação na gestão hospitalar, passagem pela administração pública e relações com diferentes lideranças políticas. Agora, sua eventual chegada ao Ministério da Saúde depende do resultado da eleição e de uma possível confirmação da indicação.




